Trinta e três mil garrafas dos lotes com suspeita de contaminação L1 1348 e L2 1348 da cerveja Belorizontina foram produzidas, segundo a fabricante Backer. As cervejas, no entanto, não foram vendidas apenas no bairro Buritis, na zona Oeste da capital. As bebidas também foram distribuídas na Grande BH, em Ouro Preto (região Central), Tiradentes (Campo das Vertentes) e cidades do Centro-Oeste mineiro. Além dos estados de São Paulo, Espírito Santo e Distrito Federal.

De acordo com perícia da Polícia Civil, rótulos dessa linha de fabricação foram contaminados com a substância química dietilenoglicol

Nesta sexta-feira, a fabricante convocou uma coletiva para tratar do caso. Diretora de marketing da marca, Paula Lebbos, fez ressalvas. “Isso não significa que as 33 mil estão contaminadas”, explicou a gerente. Mesmo assim, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento dos dois lotes do produto em todo o país.

Outra medida tomada também nesta sexta foi a interdição da fábrica, no bairro Olhos D’água, na região Oeste de BH, pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Amostras coletadas pela equipe de fiscalização das Superintendências Federais de Agricultura estão sendo analisadas. Além disso, mais de 16 mil litros de cervejas foram apreendidos cautelarmente. 

Fiscalização Backer

A gerente da Backer afirmou que a marca já havia tomado a decisão de encerrar a produção neste sábado (11), para uma investigação própria. "Convocamos parceiros que são fornecedores de maquinários e equipamentos para poder fazer testes para tentar dar informação e esclarecer os fatos para o nosso cliente", disse Paula Lebbos.

Sobre a interdição da fábrica, o advogado da cervejaria, Estevão Negin, informou que vai tomar as medidas cabíveis na esfera judicial. “Várias diligências foram feitas na indústria e nenhuma autoridade identificou a presença dessa substância. Não é possível afirmar que alguma intoxicação ocorreu, a gente não pode especular o que aconteceu”.

Especialista nega utilização do dietilenoglicol

A Backer negou que trabalha com dietilenoglicol no processo de fabricação. Segundo o mestre-cervejeiro da empresa, Sandro Duarte, a substância usada é o monoetilenoglicol que tem um nível de toxicidade mais baixa. "Eu tenho 25 anos de profissão e não se tem notícia de contaminação por líquido refrigerante com cerveja, justamente porque é um líquido que corre na parte externa do tanque, não entra em contato com o produto. Dessa família que houve a identificação em duas garrafas, da família do Glicol, a gente não tem na fábrica, a gente não utiliza", concluiu Duarte.

Nota da Backer sobre a interdição

A Backer informa que, até o momento, não foi notificada a respeito de nenhuma interdição em sua fábrica por parte do Ministério da Agricultura. No entanto ressalta que permanece à disposição das autoridades e que, conforme anunciado mais cedo à imprensa, planeja interromper suas atividades momentaneamente neste sábado, dia 11/01, para realizar uma vistoria completa em seus processos de produção, visando oferecer conforto e esclarecimento aos seus clientes. A cervejaria aguarda a conclusão das investigações e reforça seu compromisso com a qualidade de seus produtos.