A Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, identificou a presença da nova variante P1 do coronavírus em seis pacientes de Manaus (AM) que se trataram no Triângulo Mineiro. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Por causa do colapso na rede de saúde do Amazonas, em 24 de janeiro 18 doentes foram transferidos do Amazonas para o Hospital Regional de Uberaba. Dez se curaram e já foram para casa. Oito morreram.

De acordo com a SES-MG, a P1 é derivada de uma das variantes do coronavírus predominantes no país, a B.1.1.28. “No entanto, a SES esclarece que não é possível afirmar que há circulação das novas variantes no Estado”, informou, em nota. 

Mas para o infectologista Estevão Urbano, as chances dessa variante já estar circulando em Minas são de quase 100%. “Muita gente viaja, vai e volta para Manaus mesmo durante a pandemia, a negócios, por exemplo. Então a chance é muito grande. Eu diria que é quase inevitável estar circulando”.

Ainda segundo Urbano, “aparentemente se transmite mais a doença com essa nova variante, que pode ser mais agressiva”.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, também alertou sobre a possibilidade de a P1 ter se espalhado pelo país. “Senhores, a cepa está no Brasil como um todo. Isso é dado epidemiológico. Não existe a possibilidade de se fazer uma redoma em Manaus e achar que resolveu o problema”, disse, na ocasião.

Medida extrema

A confirmação da presença de nova variante do coronavírus nos pacientes que se trataram em Minas acontece em um momento delicado no enfrentamento à doença no Estado. Para evitar o estrangulamento da rede de saúde, a SES suspendeu a realização de cirurgias eletivas (agendadas) em hospitais públicos e conveniados ao SUS em sete macrorregiões do Estado. Com isso, cirurgias programadas serão mantidas apenas para pacientes cardíacos ou oncológicos de maior gravidade.

Foram afetados pela medida pacientes de 307 cidades das regiões Centro, Jequitinhonha, Leste do Sul, Noroeste, Triângulo do Norte, Triângulo do Sul e Vale do Aço. Além da taxa de ocupação das UTIs em Minas estar em 70,80%, a SES considerou, para determinar a medida, a incidência e a velocidade de avanço da doença, a oferta de medicamentos e a capacidade de atendimento nos hospitais. 

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