A água que invadiu a BR-040 na altura da cidade de Congonhas, região Central de Minas, no domingo (22), não veio do transbordamento da barragem do Josino, como foi apontado anteriormente. Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, após vistoria da Agência Nacional de Mineração (ANM), foi constatado que a estrutura liberou água por um sistema interno de escoamento e o volume se juntou ao que passava pela rodovia.

O tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador da Defesa Civil Estadual, explicou que há um sistema subterrâneo na BR-040, construído há muitos anos, justamente para escoar o excesso de água da chuva, mas que não estava preparado para a quantidade que veio com o temporal. Segundo a Prefeitura de Congonhas, choveu cerca de 120 milímetros em uma hora.

O temporal também atingiu o sistema de abastecimento do bairro Pires, onde o fornecimento foi interrompido por causa da contaminação pelos sedimentos vindos da barragem. Uma reunião entre prefeitura, Copasa, empresas e moradores da região foi maracada para que sejam apresentadas soluções definitivas para o problema, recorrente no período chuvoso.

Barragem

A primeira suspeita sobre a água que invadiu a rodovia foi de que ela seria proveniente do transbordamento da barragem. Técnicos da Agência Nacional de Mineração (ANM) estiveram no local para avaliar a estrutura. Não foram encontradas irregularidades ou riscos de rompimento da estrutura, que tem capacidade para 16,6 mil metros cúbicos, 9 metros de altura e está classificada dentro da Política Nacional de Segurança de Barragens com categoria de risco baixo e dano potencial associado médio.

A estrutura pertence à Ferro + Mineração. Em nota, a empresa informou que a estrutura não é uma barragem e sim um dique de contenção de sedimentos, de baixo risco, que continua operante e intacto, ou seja, reiterou que não houve rompimento. Ainda conforme a Ferro + Mineração, a empresa não utiliza barragem de rejeitos, ou seja, 100% dos rejeitos gerados no processo produtivo são empilhados à seco.

Confira a nota na íntegra:

C O M U N I C A D O

Esclarecemos que no dia 20/12/2019, última sexta-feira, um evento chuvoso intenso (~120mm durante uma hora) ocorreu na região onde se localiza a Ferro+ Mineração, próximo à cidade de Congonhas, na região Central do Estado.

Drenagens provenientes da própria mina e também da rodovia BR-040 são direcionadas para a estrutura, dimensionada para tal fim, chamada Dique do Josino. Essa estrutura não é uma barragem e sim um dique de contenção de sedimentos, de baixo risco, que continua operante e intacto, ou seja, não houve rompimento.

No entanto, o volume de água excedente passou pelo vertedouro e foi direcionado para a galeria da BR-040 que não conseguiu dar a devida vazão, alagando momentaneamente a entrada da empresa e a própria rodovia à jusante.

A empresa ressalta que o alagamento foi por um curto período de tempo e não afetou a captação da água que abastece o bairro do Pires, na cidade de Congonhas, localizada em outra bacia. A Ferro+ Mineração reitera que não utiliza Barragem de Rejeitos, ou seja, 100% dos rejeitos gerados no processo produtivo são empilhados à seco.

A Companhia informa ainda que segue rigorosamente a legislação ambiental e a Política Nacional de Segurança de Barragens.

A Ferro+ está colaborando ativamente com a Prefeitura Municipal e os órgãos ambientais para os devidos esclarecimentos

Segundo a Defesa Civil, os documentos de segurança de barragens da mineradora estão regulares.

Boato

O incidente na barragem chegou a circular entre a população como se fosse um rompimento, mas a Secretaria de Meio Ambiente da cidade esclareceu que a mineradora não tem barragem de rejeitos porque os empilha a seco. Segundo o órgão, a drenagem de água da BR-040 foi direcionada para o interior do dique, que eliminou o excesso.

"A Secretaria de Meio Ambiente esclarece ainda que os eventos mencionados não têm nenhuma relação com a empresa Ferrous, citada em alguns áudios, e mantém um monitoramento constante quanto à segurança das estruturas localizadas no município, diretamente junto das empresas de mineração e da Agência Nacional de Mineração-ANM, que inclusive já esteve no local hoje e reportou a segurança da estrutura", informou a prefeitura em nota.