A família do homem suspeito de ter matado a menina Ieda Isabella Manoel Peres, de 5 anos, nesta quarta-feira (30), abandonou a casa em que ele vivia, na Vila Cristina, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A residência fica a três quarteirões da escola em que a garota foi assassinada a facadas, na rua Perdões.

Vizinho da família, o autônomo Pedro Rodrigues Silva, de 49 anos, contou que a mãe do jovem se mudou com medo de represálias de outros moradores do bairro, que ficaram revoltados com o crime. Momentos depois do assassinato, o rapaz voltou à cena do crime, para decapitar a menina, e foi agredido por testemunhas, que só não o lincharam porque a Polícia Militar (PM) impediu.

"Eu tenho dó, porque ela também está sendo culpada pelo crime. Sou testemunha do tanto que ela tentou recuperar ele, porque ele sempre teve problemas mentais. Ela vivia indo no Cersam (Centro de Referência em Saúde Mental), do Jardim Teresópolis, para pegar medicamentos, marcar consultas. Mas, ele realmente dava muito trabalho", contou Silva.

Facadas BetimJovem foi levado para a Delegacia de Homicídios de Betim, antes de ir para o Ceresp da cidade

Na tarde desta quarta, segundo Silva, os familiares do rapaz foram até o imóvel, pegaram alguns documentos e pertences e foram para a casa de parentes. "Não sei pra onde foram. Apesar de tudo, são queridos por aqui", contou.

O crime

Por volta das 6h30 desta quarta-feira, Ieda Isabella Manoel Peres, de 5 anos, foi esfaqueada na porta de uma escola infantil no bairro Vila Cristina, quando era levada por uma babá, junto do irmão, de 8 anos, para a aula. A cuidadora estava de mãos dadas com as crianças e foi tomada de surpresa quando a menina caiu no chão com os golpes de faca. Ela se feriu tentando ajudar o menino, mas salvou o garoto, que correu.

O delegado Otávio de Carvalho, da Delegacia de Homicídios de Betim, contou que, em depoimento, o rapaz preso pelo crime disse que havia matado a menina a mando de vozes de sua cabeça, de um "patrão". Apesar de a família ter apresentado receitas de remédios controlados e o jovem ter se mostrado confuso durante o depoimento, o investigador disse que a Polícia Civil representou pela prisão em flagrante.

Um ponto que ainda deve ser esclarecido em exames toxicológicos é se, antes do crime, o suspeito havia se drogado ou não. Aos policiais, ele disse que havia usado grande quantidade de crack, mas um irmão dele relatou a vizinhos que havia dado a medicação psicológica que havia sido prescrita. "A família diz que ele não usou, que inclusive ele nem tem dinheiro para usar a droga, que está desempregado", completa o delegado.

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