Menos de 12 horas após o temporal que atingiu Belo Horizonte e a Região Metropolitana nessa sexta-feira (3), a Defesa Civil da capital emitiu mais um alerta para chuvas fortes e tempestades neste sábado (4). Até a manhã de domingo (5), moradores devem ficar atentos a áreas com riscos de alagamentos e há previsão de rajadas de vento de até 50 km/h sobre os céus da cidade.

Neste fim de semana, o céu continua encoberto na cidade com pancadas de chuva, trovoadas e rajadas de vento podendo atingir pontos isolados não só da capital, mas também nas cidades da Grande BH. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que as temperaturas oscilem entre entre 18ºC e 25ºC, com umidade relativa do ar em torno de 85%, com alertas para deslizamentos.

Contudo, antes mesmo de mais chuvas no fim de semana, moradores contabilizam os prejuízos do temporal dessa sexta. As regiões Venda Nova e Pampulha, que acumulam a maior quantidade de chuva da cidade neste ano, foram mais uma vez as mais atingidas. Na orla da Lagoa da Pampulha, a avenida Otacílio Negrão de Lima está mais uma vez fechada para circulação de veículos.

Na avenida Otacílio Negrão de Lima, há interdição por queda de árvore

Na orla da Lagoa, trânsito está fechado entre a rua Orsi Conceição e a avenida Antônio Francisco Lisboa

Segundo a BHTrans, o trânsito está bloqueado entre a rua Orsi Conceição de Minas e a avenida Antônio Francisco Lisboa, nos dois sentidos. No local também aconteceu queda de árvore com rompimento de cabos de energia. O desvio para evitar o trecho da Otacílio Negrão de Lima acontece exatamente pelas ruas citadas acima.

Semáforos

Na manhã deste sábado (4), seis pontos da cidade estão com sinais em flash por causa da chuva. Equipes da BHTrans estão espalhadas pela cidade a fim de corrigir os problemas. Veja os locais com trânsito prejudicado pelos problemas nos semáforos:

Pessoa Ilhada e desabamento

No bairro Santa Mônica, na Pampulha, um motorista ficou ilhado na avenida Ministro Oliveira Salazar e precisou ser socorrido no meio da inundação. Segundo a Polícia Militar, soldados do 49º Batalhão tiveram que usar uma corda e entrar na correnteza para tirar o homem do veículo, que ficou isolado no meio da água, no cruzamento com a rua Doutor Álvaro Camargos. 

No bairro Itapoã, na mesma região, o muro de um supermercado cedeu e atingiu um carro na rua Santa Rita de Cássia. Apesar de um Fiat Siena que estava na via ter sido atingido por cima, o motorista não se feriu, já que estava num bar próximo e havia deixado o carro parado na via, de acordo com a PM.

No bairro Boa Vista, na região Leste, um prédio está interditado na rua dos Afonsos. Um muro que apoia o barranco onde está a estrutura cedeu e técnicos da Defesa Civil estão no local desde a manhã deste sábado (4) para acompanhar as condições do imóvel.

Interdição e transbordamento


Já na região de Venda Nova, vias precisaram ser fechadas e as estações de ônibus e metrô da Vilarinho ficaram interditadas por cerca de duas horas devido à inundação. Assim como já havia acontecido no meio da semana, a BHTrans e a Defesa Civil precisaram colocar em prática o plano de contingência, com acesso de vias do entorno bloqueado.

A liberação total ocorreu apenas por volta das 23h. Segundo o coronel Waldyr Figueiredo, coordenador da Defesa Civil de Belo Horizonte, o problema não foi a quantidade, mas a velocidade da chuva. "Estamos falando de mais de 50 milímetros (mm) de água que caiu sobre estas regionais em cerca de 3 horas, significa 50 litros por metro. A gente consegue prever numa aproximação a quantidade, mas não a intensidade que essa chuva vai atingir. Foi muita água em pouquíssimo tempo", afirmou.

Apesar dos transtornos, o coronel celebrou não ter havido vítimas na cidade. "O trabalho de contingência foi efetuado da forma como foi planejado, o que evitou tragédias", comentou.

Na região de Venda Nova, só nos três primeiros dias do ano já choveu 216,6 mm, 66% da média histórica para todo o mês de janeiro. As outras duas regionais com maior volume de chuva foram a Pampulha, com 197,4 mm; e Centro-Sul, com 196,2 mm, ambas com 60% da média do mês.

Regiões

Apesar de não estarem na lista das mais atingidas pela água, outras regiões da cidade também tiveram casos de alagamentos. Na região Oeste, moradores do bairro Santa Maria ficaram sem luz durante cerca de 20 minutos, e transformadores de luz explodiram.

"Não é a primeira vez que isso acontece aqui. Eram várias explosões pequenas e eu tive que tirar tudo da tomada, pois ficamos com medo. Foi uma chuva muito forte", comentou a dona de casa Nilcélia Moraes, de 52 anos.

No bairro Buritis, na mesma região, pessoas ficaram presas em lojas e bares da avenida Aggeo Pio Sobrinho e carros se arriscaram na correnteza. Contudo, segundo o Corpo de Bombeiros, não houve registros de destaque nas proximidades.

Confira o vídeo:

O Corpo de Bombeiros informou também que houve ocorrências de inundações, porém sem vítimas em bairros das regiões Noroeste e Barreiro. Das nove regionais da capital, apenas a Norte e a Nordeste, segundo a Defesa Civil, não apresentaram chuvas fortes.

Veja abaixo quanto choveu em cada regional da cidade nos quatro primeiros dias de 2020. Entre parêntesis, está a quantidade que esta chuva representa da média para todo o mês, que está em torno de 329 mm. Os dados são da Defesa Civil municipal:

Barreiro - 127,0 (39%)
Centro Sul - 196,2 (60%)
Leste - 175,0 (53%)
Nordeste - 150,6 (46%)
Noroeste - 182,6 (55%)
Norte - 108,8 (33%)
Oeste - 187,2 (57%)
Pampulha - 197,4 (60%)
Venda Nova - 216,6 (66%)

    

Grande BH

Na Região Metropolitana, o Corpo de Bombeiros foi acionado para ocorrências em três cidades, Santa Luzia, Contagem e Nova Lima. Na cidade do vetor Norte houve registros nos bairros Serra Verde, Palmital e Cristina. Mas, de acordo com o órgão, não houve vítimas.

Nas proximidades da pracinha da Savassi, no bairro Palmital, a água chegou a cerca de um metro de altura e arrastou carros pela força da água. A Defesa Civil municipal, procurada, ainda não se posicionou.

Já em Contagem, os principais pontos de inundação foram a Vila São Paulo, próximo à divisa com BH, e no córrego Ferrugem. A Defesa Civil municipal informou que está acompanhando os casos, mas que não há desabrigados.

Em Nova Lima, um barranco cedeu na MG-030, próximo ao KM 20. Por causa disso, a pista, que é simples, está parcialmente interditada e os dois sentidos, no trecho, estão sendo feitos em apenas uma pista. O trânsito é lento nas proximidades.

Na Zona da Mata também houve estragos. Em Juiz de Fora duas casas desabaram após o deslizamento de um barranco. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente foi no bairro Cerâmica. Em uma das casas atingidas estavam três pessoas da mesma família e, na outra, uma idosa, de 64 anos. Ninguém se feriu.

Desabamento casas Juiz de Fora

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