O início tardio das obras que vão garantir a captação de água no Rio Paropeba pela Vale e as poucas chuvas na Região Metropolitana de Belo Horizonte podem comprometer o abastecimento de água na região. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo Hoje em Dia, que consideram o momento de alerta. Além da capital outras seis cidades dependem do Paropeba para serem abastecidas.

Desde o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, em janeiro deste ano, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), suspendeu a captação de água no rio. Para a Copasa, o cenário atual não mostra risco de racionamento, mesmo com os reservatórios tendo menos de 50% de sua capacidade.

Dois são os problemas apontados pelos ambientalistas. O primeiro é o atraso nas obras do novo ponto de coleta de água do Paraopeba, que deveriam ter começado em setembro, mas só ocorreram no final de outubro. O outro problema é o pouco índice de chuvas em novembro deste ano, bem abaixo da média histórica para o mês nos rios do entorno de BH.

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Fatores

Segundo a Vale, que é a responsável pelas obras no Paraopeba, os atrasos ocorreram devido a processos judiciais, já que donos de imóveis onde o novo ponto de coleta de água seria construído não entraram em acordo com a mineradora. Por isso, as obras só começaram após a Justiça autorizar a entrada da empresa nos lotes para as intervenções.

Mesmo assim, a companhia garante que o prazo final de construção da estrutura, em setembro de 2020, está garantido. Para o fundador do Instituto Manuelzão, Apolo Heringer, o problema é mais complexo e urgente e pode não suportar até a data.

"Estamos num momento de insegurança hídrica. Veja bem, o rio Paraopeba é responsável por cerca de metade do abastecimento destas cidades. Estamos falando de mais de um ano sem captação, sendo que ainda temos o problema de o rio das Velhas, que está sendo usado como alternativa, ter 7 em cada 10 m³ de sua vazão sendo desviados para Belo Horizonte", opinou.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, concorda. Ele soma à análise, o consumo de água da população, que é mais alto nos períodos de calor. "Estamos ficando sem água para o rio ao longo do tempo. Então temos que tomar uma atitude porque no período seco as pessoas consomem mais água. A população tem que colaborar neste momento crítico, tendo um consumo mais consciente, reduzindo o consumo de água nas atividades diárias", opinou.

Solução

A Vale garante que a mesma vazão mantida antes da suspensão de coleta de água no rio Paraopeba, de 5.000 litros por segundo, será efetivada no novo sistema. Segundo a Copasa, não será construído um sistema de captação, mas um ponto de coleta. Uma adutora levará a água coletada para a antiga estrutura que a companhia de saneamento já tinha na cidade.

Em outubro deste ano, um aditivo do acordo judicial determina a perfuração de 50 poços artesianos para garantir o abastecimento de 40 clientes especiais da Copasa, como hospitais e presídios, em um possível momento de crise hídrica na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Vale ainda não informou quando estes poços estarão perfurados mas, de acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, eles devem estar prontos em caráter de urgência, já que devem funcionar enquanto as obras do Paraopeba não forem concluídas.

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