A clínica onde uma mulher morreu durante um procedimento de redução de mamas, na segunda-feira (16), não tinha autorização para fazer a cirurgia. A informação foi divulgada nesta terça-feira (17) pela Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA). Adriane Zulmira do Nascimento, de 48 anos, passou mal e morreu durante o procedimento.

Conforme a nota divulgada pela SMSA, o local tinha Alvará de Autorização Sanitária somente para pequenos procedimentos ambulatoriais, como "vasectomia e reversão de prótese peniana". Além disso, o espaço estava em processo de renovação do documento, conforme prevê a legislação. Ainda segundo o órgão municipal, diante do ocorrido, a pasta fará nova vistoria na clínica para verificar quais medidas podem ser tomadas. 

morte em clínica
Adriane passou mal durante o procedimento e acabou morrendo ainda na clínica médica, na segunda-feira (16)

"Na última vistoria, realizada em outubro, foram solicitadas adequações de alguns itens referentes a esses procedimentos ambulatoriais. Nesse momento foi comunicado à clínica, pelo fiscal sanitário, que a unidade não estava autorizada a realizar qualquer outra cirurgia de médio ou grande porte. A mamoplastia é um procedimento com diversos níveis de complexidade e assim sendo, foi recomendado pelo fiscal sanitário, no momento da vistoria em outubro, baseado na diretriz de segurança assistencial, que essa atividade não fosse realizada por se tratar, na maioria dos casos, de cirurgias de médio e grande porte", informou a SMSA. 

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Minas Gerais (SBCP-MG), Alexandre Meira, explica que o órgão não tem autoridade para analisar os ambientes onde ocorrem as cirurgias, o que cabe à Vigilância Sanitária. "O que fui informado é que a Vigilância passou lá em outubro, não viu problemas e manteve o funcionamento. Mas o órgão fez algumas exigências e deveria retornar em novembro, o que parece que não aconteceu", disse. 

De acordo com ele, a informação de que a clínica não estaria autorizada para este tipo de procedimento é contestável, já que a própria SMSA informou que o local estaria apto a fazer, por exemplo, a cirurgia de prótese peniana. "Esse outro procedimento utiliza a mesma anestesia, que é a peridural. O questionamento que faço é: se a clínica tinha condições de atender uma peridural para um procedimento, por que não poderia para o outro? Já do ponto de vista do cirurgião plástico, o que posso dizer é que é um cara super experiente e que a paciente teve um pré-operatório adequado. Ela não tinha nenhum problema de saúde que impedisse o procedimento", argumentou Meira.

A assessoria de imprensa da clínica informou que ainda está levantando todas as informações para que uma nota oficial sobre o caso seja divulgada. 

Família foi pega de surpresa 

Nesta quarta, uma sobrinha de Adriane, de 24 anos, e que preferiu não ser identificada, disse ter sido pega de surpresa com a notícia de que a clínica não teria aval para o procedimento. "Em momento nenhum falaram qualquer coisa sobre essa autorização. Estamos sem chão e, agora, também sem saber o que fazer. Minha tia juntou o dinheiro por um ano para fazer a cirurgia, pagou R$ 8 mil se não me engano. Ela pagou para não ter que esperar a fila do SUS, pois já estava com problema nas costas", lembra. 

Na terça, a sobrinha contou que a família foi chamada até a clínica e, ao chegarem, foram informados pelo médico de que havia ocorrido uma fatalidade e que eles fizeram tudo o que podiam para salvá-la. "O anestesista disse que havia duas coisas que podiam ser feitas: a primeira, que era ele determinar a causa da morte como indefinida e, a segunda, que era acionar o IML. Mas ele fez questão de destacar que o segundo seria bem mais demorado", denunciou a jovem. 

Ainda de acordo com a sobrinha, Adriane trabalhava como professora em uma creche do bairro São Paulo, na região Nordeste de BH, morava com a mãe idosa, era solteira e não tinha filhos. A vítima foi enterrada na tarde desta terça-feira (17) no cemitério Belo Vale, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH. 

Relembre o caso 

As informações da Polícia Militar (PM) indicam que a corporação foi acionada na clínica, no Barro Preto, na região Centro-Sul de BH, no fim da manhã. Segundo o relato de familiares da vítima, ela se internou no local no início da manhã de segunda-feira e, conforme repassado pelos médicos responsáveis, teria sofrido um aumento de pressão. A mulher não resistiu e faleceu no local. 

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também chegou a ser acionado no local, mas não foi possível salvar a vida da vítima. A assessoria de imprensa da Polícia Civil (PC) informou que um inquérito já foi instaurado e irá apurar as circunstâncias e eventual responsabilidade sobre o óbito. "A perícia técnica esteve no local e liberou o corpo, que foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML)", conclui a instituição policial. 

*Com Anderson Rocha.

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