O monitoramento que estuda a presença do novo coronavírus nos esgotos de Belo Horizonte, realizado desde abril do ano passado na capital, passou por uma alteração na metodologia e agora calcula que cerca de 250 mil pessoas estejam com a doença na cidade. Os dados foram recolhidos entre os dias 10 e 15 da semana passada. Nos últimos boletins divulgados, esse número estava acima de 1 milhão.

A pesquisa analisa o esgoto nas bacias da Onça e Arrudas. De acordo com os dados apresentados pelo informe nesta sexta-feira (22), todas as regiões analisadas apresentaram a presença do coronavírus, apontando para uma intensa circulação do vírus na cidade e reforçando o agravamento da pandemia na capital.

Segundo o boletim, a equipe que coordena o projeto justificou a necessidade de modificação buscando aproximar as estimativas feitas a partir do monitoramento de valores que tenham mais coerência com a população que contribui com esgotos para as duas Estações de Tratamento de Esgotos da cidade.

“Tal metodologia, utilizada a partir deste boletim, possibilita expressar as estimativas de população infectada para valores medianos e percentis de 25 e 75%, os quais são obtidos a partir de simulações feitas para uma faixa de variação dos parâmetros que inserem incertezas aos cálculos”, diz o documento.

Ainda segundo as informações obtidas através dos levantamentos, os resultados das amostras podem detectar partículas virais excretadas por pessoas que foram infectadas no período de duas a sete semanas antes da coleta para monitoramento. Ou seja, as estimativas de população infectada para uma determinada semana poderiam ser interpretadas como o número acumulado de pessoas infectadas no período compreendido entre o dia da coleta em questão e até sete semanas.  

O método atual tenta limitar a margem de tempo e reportar um número ainda mais próximo à realidade. “Dessa forma, para guardar coerência com os valores reportados nos Boletins anteriores e divulgados no Painel Dinâmico Monitoramento Covid Esgotos, foi feita a revisão de toda a base de dados para os valores e faixas de incertezas associadas aos principais parâmetros que possibilitam a estimativa da população infectada. Acredita-se que, com isso, o total estimado de infectados a cada semana epidemiológica seja mais coerente com a efetiva população que contribui com esgotos para as duas ETEs da cidade de Belo Horizonte”.

A pesquisa também apresenta uma margem em relação ao valor estimado, para mais e para menos. Atualmente, o monitoramento estima que cerca de 250 mil pessoas estão com o vírus, com variação provável entre 190 e 345 mil.

O estudo na cidade é feito pelo Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), junto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e a Secretaria de Estado da Saúde.

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