Quem precisa de redes sociais como o WhatsApp e o Instagram para trabalhar teve muita dor de cabeça nesta segunda-feira (4). Até o fechamento desta reportagem, são praticamente seis horas de instabilidade nos sistemas. Sem muitas opções, comerciantes em Belo Horizonte que dependem das ferramentas lamentam os prejuízos.

Segundo pesquisa feita em dezembro do ano passado pelo Sindicato dos Lojistas de Comércio da capital (Sindilojas-BH), pelo menos 52% dos empresários utilizam as mídias sociais como canais de venda. Atualmente, a projeção do órgão é que esse número passe de 70% em BH.

A confeiteira Ângela Oliveira, de 32 anos, comercializa bolos e salgados pelo WhatsApp e Instagram. Ela mora no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha, e perdeu toda a tarde de trabalho por não conseguir contato com ninguém.

"Eu estava fazendo um orçamento na hora que o WhatsApp caiu. Não consegui mais falar com aquele cliente, e todos os outros da parte da tarde desapareceram", lamenta. Agora, ela afirma que a linha de produção sob encomenda deve atrasar algumas entregas por conta do tempo perdido.

WhatsApp Business

Cada vez mais popular entre os internautas, o WhatsApp é figura certa em praticamente todos os celulares do Brasil. Desde 2018, a ferramenta ainda conta com a opção "business", que abre um canal de comunicação exclusivo para clientes chegarem até o vendedor com mais praticidade. 

Quando os meios virtuais são comprometidos, o faturamento tende a cair também para esses empreendimentos. Caso de uma rede de restaurantes que vende marmitas no Centro de BH. Uma das atendentes, que preferiu não se identificar, afirmou que são mais de cinco anos fazendo a maioria das vendas pelo WhatsApp. Segundo ela, a rotina virou de cabeça para baixo sem o principal canal de comunicação.

"Aqui, os problemas começaram bem na hora do almoço", afirma. "Muito pedidos não chegaram a ser finalizados pelo cliente e, por isso, nem chegaram até nós. Como também estamos em um aplicativo de delivery, acredito que o prejuízo não vai ser tão grande, mas a falta do WhatsApp deu muito mais dor de cabeça do que qualquer outra coisa".

Situação parecida foi enfrentada por uma loja de roupas plus size também na região Central de BH. A proprietária Daniela Vieira, de 38 anos, disse que praticamente não teve movimento nesta segunda.

"São dezenas de atendimentos diários no nosso WhatsApp, é a grande forma de encontrar a loja. O que eu tive hoje foram os clientes presenciais, mas isso já é raridade há algum tempo", comenta a empreendedora. "Ainda vamos somar o prejuízo, mas é provável que metade do faturamento do dia tenha sido prejudicado, são algumas centenas de reias nisso tudo".

Atualmente, ferramentas como o WhatsApp permitem todo o processo de compra on-line, desde o contato com a loja pela conta business até o pagamento, que já é realidade na plataforma. O comerciante Jorge Diniz, de 56 anos, é mais um prejudicado por ter a principal ferramente de trabalho fora do ar durante toda a tarde. 

"Não é só pelas vendas. Eu faço muito contato com fornecedores pelo WhatsApp, recebo catálogos, negocio preços", afirma o dono de um mercado no Alto Caiçaras, região Noroeste de Belo Horizonte. "Até mesmo os comprovantes, que a gente manda pelo telefone, não pudemos mandar hoje. É como se essa segunda não tivesse sido um dia útil, só tive alguns clientes aqui na loja", lamenta. 

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