Empresários e funcionários de bares e restaurantes fizeram uma manifestação na tarde desta quarta-feira (9) em frente ao prédio da Prefeitura de Belo Horizonte. Eles pedem a revogação do decreto que entrou em vigor na última segunda (7), que proíbe estabelecimentos da capital de comercializarem bebidas alcoólicas. A restrição acontece como parte do protocolo de enfrentamento e prevenção à pandemia da Covid-19.

Os manifestantes fizeram um “apitaço” na avenida Afonso Pena e seguravam cartazes com dizeres como “vidas importam, meu emprego também”, “precisamos trabalhar” e “queremos diálogo”. Uma outra faixa deixava claro o pedido “Prefeito: deixa a gente trabalhar”.

Cerca de 90 donos de bares e restaurantes estiveram no ato. Segundo um dos organizadores, o empresário Cláudio Henrique Martins, o movimento de alguns estabelecimentos caiu cerca de 90% nos dois primeiros dias de decreto, quando comparado ao mesmo período das semanas anteriores.

A manifestação foi um pedido de “socorro” por meio dos comerciantes. “Estamos sem rumo, nós manifestamos a nossa tristeza. A gente esperava conseguir recuperar o que perdemos nos meses fechados, agora em dezembro, que é o período que mais vendemos. Então fomos pegos de surpresa. Estamos sem rumo, esse decreto significa quase a mesma coisa que fechar nossos bares e restaurantes”, disse.

Sem o movimento de clientes e, consequentemente, sem a renda, o comerciante acredita que terá que demitir funcionários e fechar as portas por alguns dias. “Estamos em uma situação complicada, não compensa abrir. A minha empresa, por exemplo, tem 15 anos e eu nunca passei por uma situação assim. Sem bebida a gente não consegue receber um público amplo. Então eu acredito que vamos ter que fechar e esperar. Eu ia contratar mais pessoas agora em dezembro, mas terei que demitir porque não posso pagar”, lamentou.

Procurada, a PBH informou que o decreto continua vigente e que, em vista dos indicadores da semana, a prefeitura vai manter a restrição. "O Rt da semana está em 1,06, o que indica expansão da Covid e há também o aumento da demanda por leitos na Saúde. Não há uma evolução nos indicadores da Covid-19 que permita novas flexibilizações no momento e não houve tempo necessário para novas avaliações sobre a flexibilização pelo Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19 da Prefeitura”, diz a nota.

Decreto

O consumo de bebidas alcoólicas em bares, restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação de Belo Horizonte foi proibido pela prefeitura da capital, conforme decreto publicado na última sexta-feira (4) no Diário Oficial do Município (DOM). A medida começou a valer a partir de segunda (7).

De acordo com o texto, comerciantes têm um novo cronograma de funcionamento. Outros alimentos e bebidas ainda podem ser consumidos nos locais.  

A restrição, conforme a PBH, acontece como parte do protocolo de enfrentamento e prevenção à pandemia da Covid-19. O decreto, por outro lado, autoriza a realização de eventos de iluminação e decoração de Natal e caravanas comemorativas, desde que aconteçam sem divulgação prévia e sem potencial de atração de público para evitar aglomerações.

Padarias e lanchonetes poderão funcionar diariamente, entre 5h e 22h, com consumo no local liberado.

Pandemia da Covid-19

Segundo os dados do boletim epidemiológico divulgado nesta quarta-feira, a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), reservados para pacientes com Covid-19 em hospitais de Belo Horizonte, já atinge 58,1%. Cinco novas mortes foram confirmadas, ultrapassando a marca de 1.700 óbitos na cidade.

Os dados da taxa de ocupação estão em amarelo no indicador de monitoramento, o que significa estado de alerta, assim como o número médio de transmissão por infectado (Rt) que, mesmo em queda quando comparado ao último boletim, divulgado na segunda (7) – quando o índice indicava 1,09 -, segue acima de 1. A taxa está em 1,06, o que significa que 100 pacientes transmitem para outras 106 pessoas, em média, neste momento.

Desde segunda, outras cinco novas mortes foram confirmadas na cidade. Agora, Belo Horizonte chega a 1.703 vidas perdidas. Entre os casos, 948 mortes foram registradas por homens e 755 por mulheres. Pessoas com mais de 60 anos foram as mais afetadas, totalizando 82,3% do total de vítimas.

Leia mais:
Taxa de ocupação dos leitos de UTI continua subindo e atinge 58,1% em BH; mortes passam de 1.700
Respirador de baixo custo produzido em Minas é utilizado por quase 400 pacientes graves da Covid-19
PBH fecha acordos com Butantan e UFMG para garantir vacinas contra a Covid-19