Um homem de 44 anos casado e pai de oito filhos foi condenado a mais de um século de prisão por estuprar cinco crianças com idades entre 4 e 11 anos. Ele foi preso nessa terça-feira (10) em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As vítimas eram sobrinhas e vizinhas do homem, o que corrobora com o padrão percebido em crimes de estupro de vulnerável. 

"Nestes casos, os autores são pessoas próximas à criança, geralmente, parentes e vizinhos", conta a delegada Elenice Batista, chefe da Divisão Especializada de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente, durante a coletiva em que deu todos os detalhes sobre o caso nesta quarta-feira (11).   

As investigações começaram em janeiro de 2018, a partir da denúncia da mãe de uma das vítimas. Ela havia visto em seu celular uma foto da filha de 11 anos com as pernas abertas e o órgão sexual exposto. "Ela achou aquilo estranho e foi conversar com a menina, que relatou que vinha sofrendo abusos sexuais por parte do tio desde que tinha 8 anos de idade", conta a delegada. 

Além desta sobrinha, ele abusava também de outras duas sobrinhas que frequentavam a casa dele, e duas crianças vizinhas, que ficavam aos cuidados da esposa do homem quando as mães estavam trabalhando. Há a suspeita, ainda, de que a mulher dele sabia dos abusos. 

"A esposa foi ouvida e negou que tivesse conhecimento de qualquer questão relacionada à isso, mas, durante as investigações, foram ouvidas várias testemunhas que demonstraram que ela sabia dos fatos, chegando, inclusive, a relatar para algumas pessoas", completa a delegada Elenice Batista.

Um dos laudos confirmou a ruptura do hímem de uma das vítimas, que tinha entre 4 e 5 anos quando foi estuprada pelo condenado. Os abusos ocorriam há, pelo menos, três anos, conforme apurou a Polícia Civil. 

Balas e chocolates 

Além de estuprar as crianças, o homem também as ameaçava para não contarem aos pais sobre os abusos, chegando a empurrar uma delas de uma escada. 

"O modus operandi deste autor era ameaçar as crianças dizendo para não contarem nada para ninguém se não ele iria machucar os pais delas. Uma das vítimas chegou a dizer que iria contar para os pais e foi empurrada de uma escada pelo abusador. A criança sofreu um corte no nariz. Além disso, ele também oferecia balas e chocolates após os atos", detalha a delegada.   

Pai de família 

O homem é casado e tem oito filhos no total, sendo cinco com a atual mulher e três, frutos de outros relacionamentos. Segundo a delegada, ele aparentava levar uma vida normal aos olhos da sociedade. 

Durante as investigações foi levantada a hipótese de que ele também abusava dos próprios filhos, mas segundo a polícia, a suspeita foi descartada. 

"Durante as investigações foi levantada a possibilidade de abuso sexual contra outras crianças e, uma delas, seria filha dele, mas ela foi ouvida seguindo o protocolo de escuta especializada de menores, e negou os fatos. O abuso não foi confirmado", conta. 

Preso pela segunda vez

Após o início das investigações, o homem chegou a ser preso preventivamente, mas, foi solto em abril deste ano por "excesso de prazo". Isso porque a prisão preventiva, inicialmente com prazo fixado em 30 dias, mas podendo ser prorrogado até o limite de 180 dias, venceu. Com isso, ele passou a aguardar o processo em liberdade, até ter, no início deste mês, a condenação definitiva a 136 anos, oito meses e 24 dias de reclusão em regime fechado e, em seguida, o mandado de prisão expedido. 

Segundo a delegada Elenice Batista, há muitos autores de crimes assim com este perfil na sociedade. "São pedófilos e têm interesse sexual em crianças. Quando cometem o crime pela primeira vez, acabam repetindo os atos e voltando a praticar". 

Ela também se diz satisfeita com a pena estabelecida pela Justiça. "Ele nega os fatos, porém, tudo foi confirmado durante a investigação e comprovado no processo, através de testemunhas, laudos periciais e outros elementos que caracterizaram os crimes. Nós ficamos satisfeitos com essa condenação porque conseguimos tirar da sociedade um estuprador que poderia voltar a cometer estes atos", conclui.