A conduta de empresas de ônibus durante a greve dos motoristas da categoria em BH se tornou alvo de investigação, após denúncia de que a paralisação nesta semana teria sido “um ato orquestrado”.  Nessa terça-feira (23), o vereador Gabriel Azevedo (sem partido) protocolou pedido após a divulgação de áudios relatando a possível intervenção dos empresários das empresas que possuem a concessão do transporte público de passageiros.

Em um dos áudios, um suposto funcionário de uma dessas empresas diz que todos os ônibus estavam na garagem, mas que “não estavam liberando a saída dos veículos”. “Nós estamos todos aqui dentro da garagem. Não deixaram ninguém sair. Até agora não saiu nenhum carro aqui. Não foi só aqui na empresa, não. Então, hoje a greve é dos ônibus mesmo. Não é nossa, não. Tá todo mundo quieto aqui dentro”, disse. Uma segunda gravação traz um relato na mesma linha. 

A denúncia do vereador levou à invetigação da possível prática de "lockout", em que os funcionários são impedidos pela empresa de exercer a atividade. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou que vai apurar possíveis irregularidades, e entrará no caso se necessário.

O Ministério Público do Trabalho (MPT), por sua vez, confirmou que abriu investigação após a denuncia do vereador Gabriel Azevedo. O órgão acrescentou que o "lockout" "afronta o legítimo direito de greve previsto na constituição federal e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e passível de penalidades que incluem multas e suspensão de direito de exercício de cargos de representação sindical".

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