O número de profissionais de saúde com Covid-19 em Belo Horizonte cresceu 51% depois que a capital iniciou a primeira fase da flexibilização social. Atualmente, conforme balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), 133 servidores receberam diagnóstico.

No dia 25 de maio, quando a cidade afrouxou as rígidas medidas sanitárias, a quantidade de  infectados era de 88. Nenhum funcionário público ligado à saúde morreu na metrópole em decorrência da doença. Por causa do aumento expressivo nos casos, tanto dos servidores quanto dos moradores, o prefeito Alexandre Kalil recuou e, no dia 26, mandou voltar a fechar a cidade. Agora, somente os serviços essenciais podem funcionar.

O balanço da SMSA que traz os dados dos profissionais doentes foi compilado até quinta-feira (2). O levantamento informa que a maioria das vítimas (94) trabalha nos postos de saúde. Outras 33 atuam nas UPAs ou no Samu. 

Na capital, os técnicos de enfermagem são os maiores alvos da enfermidade. Até o momento, a categoria contabiliza 64 confirmações. Enfermeiros e médicos, com 25 e 17 casos diagnosticados respectivamente, aparecem na sequência.

médica Denise Cristiane Costa

A médica Denise foi infectada pelo vírus

Contágio

A médica Denise Cristiane Costa, de 35 anos, e a mãe dela, Sônia Aparecida Costa, de 57, que trabalha como técnica de enfermagem, integram o balanço de profissionais infectados. As duas receberam a confirmação da doença nesta semana. 

"O hospital já é uma ambiente de risco e mais propício para se contaminar, mesmo tomando todas as medidas de segurança. Mas, após a flexibilização, muitos casos chegaram ao posto. Quanto mais as pessoas circulam, mais o vírus se propaga", disse a médica que atua na UPA de Venda Nova e também no Programa Saúde da Família em Contagem, na região metropolitana.

Ela e a mãe, que é servidora na Maternidade Odete Valadares, estão em isolamento domiciliar com sintomas brandos da Covid-19. "Mas a doença não é brincadeira. Por isso, fiquem em casa. É a melhor medida de controle. Infelizmente, algumas pessoas não estão acreditando que muita gente vai morrer com o coronavírus", lamentou.

Alta

Na contagem do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos (Sindibel), são 160 profissionais de saúde infectados na cidade, 27 a mais do que o divulgado pela prefeitura. No balanço do sindicato, ocorreram 65 novos casos nos últimos sete dias.

"Os dados são mais precisos porque estamos em contato direto com os profissionais", explicou o presidente do Sindibel, Israel Arimar de Moura. Ele acredita que o número de doentes pode ser ainda maior, uma vez que a prefeitura só está testando os profissionais que estão na linha de frente no combate à pandemia.

"Mas no hospital tem o gerente e o pessoal do administrativo, por exemplo. Estamos cobrando que a prefeitura faça os exames em todos os profissionais que são considerados essenciais e que apresentam sintomas da doença", disse.

 

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