A Covid-19 já matou pais, mães, filhos, netos e avós em 346 bairros de Belo Horizonte. As tragédias familiares provocadas pelo vírus altamente contagioso ocorreram em 71% das 487 localidades da capital. Espalhados pelas nove regionais, os óbitos comprovam que há riscos para todos, independentemente das classes sociais.

utiNo boletim epidemiológico desta quinta, 81,7% dos leitos de UTI estavam ocupados

A quantidade de mortes, no entanto, pode ser ainda maior. Os dados do boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) são do último dia 15, quando BH confirmou 2.037 vidas perdidas. Nesta quinta-feira (21), no mais recente relatório, o número saltou para 2.140.

O Alto Vera Cruz, na região Leste, é o local com mais mortes por Covid-19 no município. Lá, foram 35. Serra, na regional Centro-Sul, tem 34 óbitos. Em seguida, aparece o Lindeia, com 32. Já o bairro com mais casos do novo coronavírus é o Buritis, na zona Oeste, com 1.260 pacientes atestados.

Não poupa ninguém

Categórico, o infectologista Estevão Urbano afirma que os números comprovam como que a pandemia não poupa ninguém. “Afeta a todos, mostra o caráter universal da doença que não respeita classe social, é democrática, no mau sentido”. 

O especialista reforça que somente com muita consciência coletiva será possível enfrentar esse desafio. “Depende do comportamento humano, da cidadania. E isso é muito pessoal, relacionado a como cada um enxerga a vida”.

Também integrante do grupo de enfrentamento à enfermidade na capital, Carlos Starling engrossa o coro do alerta. “Mostra que a doença está disseminada. Com casos em 96% da cidade, e mortes em 71%, a cidade sofre com a pandemia de forma extremamente grave”.

*Com Maria Amélia Ávila

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