Com mais da metade das cidades com registros elevados de dengue, Minas deve enfrentar novo pico epidêmico da doença já no próximo mês. As chuvas intensificadas nos últimos dias, altas temperaturas típicas desta época e a existência de inúmeros criadouros do Aedes aegypti, principalmente dentro das casas, contribuem para um cenário pessimista, apontam especialistas. 

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“O aumento das precipitações eleva o número de casos. Assim, estamos prevendo crescimento das notificações em janeiro, fevereiro e março”, frisou Janaina Fonseca Almeida, diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis, vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Conscientização

Atualmente, 441 dos 853 municípios estão com incidência “alta” ou “muito alta” da doença (veja na arte abaixo). Para a coordenadora do curso de Enfermagem das Faculdades Kennedy, Débora Cristine Gomes Pinto, a situação só deve mudar se a população, de fato, se conscientizar. “As pessoas não sabem que essa é uma doença séria. São quatro tipos de dengue, e a hemorrágica, a mais grave, pode matar”.

A especialista ressalta a importância do morador no combate às enfermidades provocadas pelo Aedes, também vetor da chikungunya e zika. “O poder público precisa fazer o trabalho dele, fora das casas. Mas dentro das residências são as próprias famílias”.

Tecnologia

A tecnologia é uma das apostas da SES para tentar barrar uma nova epidemia. Geoprocessamento e aplicativos para verificar o índice de infestação do mosquito, armadilhas para o inseto e inseticidas mais potentes integram as estratégias.

As iniciativas fazem parte de projetos-pilotos em andamento em Araçaí, Pará de Minas e Sete Lagoas, na região Central. 

De acordo com Janaina, os trabalhos são desenvolvidos com universidades. “Devemos expandir as ações assim que tivermos os resultados das experiências nesses locais”, disse. 

Soltar Aedes infectados com a bactéria Wolbachia também está nos planos para o próximo ano. Conforme o Hoje em Dia mostrou em 21 de novembro, o Estado terá uma fábrica do chamado “mosquito do bem”, sugerido como alternativa para bloquear a transmissão da dengue.

O laboratório será gerido pelo governo mineiro em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e construído com recursos da Vale, em contrapartida aos danos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho, na Grande BH.

A expectativa é a de soltar os insetos em 24 municípios às margens do rio Paraopeba, afetados pela tragédia, visando a mitigar os efeitos de uma possível epidemia da doença em 2022. “Os resultados serão a médio e longo prazos”, destacou a diretora da SES.

Desde janeiro, conforme a Secretaria de Estado de Saúde, 484 mil casos prováveis (suspeitos e confirmados) de dengue foram registrados em Minas; até o momento são 163 mortes, mas 95 óbitos ainda estão sob investigação

Projeto em Niterói

Análises preliminares indicam que o projeto dos “mosquitos do bem” (Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia) têm surtido efeito em Niterói, no Rio de Janeiro. Em 33 bairros do município, onde os insetos modificados estão sendo soltos há três anos, houve redução de 75% dos casos de chikungunya, conforme o governo federal.

Na última segunda-feira, mais vetores contaminados com a Wolbachia foram liberados em alguns bairros da cidade. Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta acompanhou a ação e confirmou a intenção de expandir o projeto, a partir dos resultados positivos, para outras localidades brasileiras.

Uma delas é Belo Horizonte. Conforme o Hoje em Dia mostrou na edição de 26 de novembro, a expectativa é a de que o método já esteja em vigor em fevereiro, dentro de um projeto em parceria entre a prefeitura, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e União. Em 2019, a capital registrou mais de 115 mil pacientes com dengue. A doença matou, até o momento, 30 pessoas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que a soltura de Aedes com Wolbachia é complementar às demais ações de controle e prevenção executadas durante todo o ano, “independentemente do número de casos”. Dentre as estratégias estão visitas domiciliares para informar, prevenir e debelar focos do mosquito transmissor, com a aplicação de larvicidas. 

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