Uma foto incluída no inquérito da Polícia Civil (PC) que apura responsabilidades pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande BH, mostra que existia a previsão de detonação de explosivos para horário anterior ao desastre. A corporação anunciou, nessa terça-feira (25), que apura se essas possíveis explosões podem ter colaborado para o colapso da estrutura. 

Na imagem, obtida pela TV Globo, é possível ver que a placa estaria na mina Córrego do Feijão, localizada a cerca de 1,3 km da barragem, e a data de 25 de janeiro de 2019. Em seguida, há um código que indicaria o local exato da explosão e o horário previsto para a detonação, que era de 11h às 12h. O rompimento da estrutura aconteceu precisamente às 12h28. 

Questionada sobre a imagem, a Vale se posicionou por meio de nota. "A Vale reforça que não há registro de detonações realizadas no dia 25/01 antes do rompimento da barragem I nas minas do Córrego do Feijão e Jangada. As detonações são inerentes à atividade minerária e as recomendações da empresa de auditoria eram conhecidas e consideradas pela área geotécnica na execução das atividades no complexo", argumenta.

Procurada pela reportagem para tratar sobre a foto da placa, a assessoria de imprensa da PC informou somente que a fotografia já está incluída nos autos do inquérito aberto pela corporação. Porém, na terça, foi anunciado por nota que as investigações apontaram que detonações aconteceram no dia do rompimento. 

"Vale ressaltar que o Complexo do Córrego do Feijão é composto pelas minas de Jangada e Córrego do Feijão. Até a data do rompimento da barragem, as detonações ocorriam, diariamente, na cava de Jangada. Na cava de Feijão, as detonações eram feitas até duas vezes por semana. A cava de Feijão fica a cerca de 1,3 km de distância da Barragem B1, que se rompeu", detalha.

Ainda segundo a PC, além dos depoimentos colhidos, documentos apreendidos e requisitados ao longo da investigação também comprovam as detonações. Os policiais que participam dos levantamentos tiveram acesso ainda ao relatório chamado de "Mapa de Fogo", que contém a frequência e a intensidade dos explosivos usados na mina em questão. 

"A força-tarefa, composta pelo Ministério Público e pela PCMG, analisa, através da perícia técnico-científica e com o auxílio de analistas, se as detonações contribuíram de alguma forma para o rompimento da barragem em Brumadinho", conclui a nota da corporação. 

Funcionários divergem sobre horário das explosões

Na segunda-feira (24), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Brumadinho na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os horários destas detonações foram alvo de divergência em dois depoimentos prestados por funcionários da mineradora aos parlamentares. 

Eiichi Pampulini Osawa, mecânico de mineração da empresa terceirizada Sotreq, disse ter sido chamado à cava da mina horas antes do desastre para remover um trator que estava na área de risco e poderia ser atingido pelos destroços da explosão. O trabalhador afirmou ainda que, após cumprir este serviço, assistiu à detonação, que teria acontecido praticamente na hora do rompimento, entre 12h20 e 12h40. "Eu vi a detonação e assim que eu desci a barragem já estava rompida", afirmou durante o depoimento. 

Ao mesmo tempo, Edmar de Rezende, aplicador de explosivos da Vale, primeiramente negou que houvesse um trator na área da detonação e também garantiu que a explosão teria sido promovida por ele às 13h30, cerca de uma hora após o colapso da estrutura. Ainda segundo o funcionário da mineradora, a decisão foi tomada por segurança, já que seria arriscado deixar a carga explosiva no local, e sem orientação, uma vez que os seus dois superiores imeditatos morreram no desastre.

Confira o vídeo divulgado pelo trabalhador e que mostra o momento da detonação: 

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