Carnaval com música para animar os foliões. É isso que os órgãos públicos afirmam que querem para a maior e melhor festa de Belo Horizonte. Por isso, uma força-tarefa foi criada para garantir que carros de som desfilem junto com os blocos de rua da capital.

No último fim de semana, a apreensão de dois veículos adaptados para funcionar como mini trio elétrico gerou o temor de que a folia deste ano fosse "muda". Com receio de que o brilho do Carnaval da capital mineira fosse apagado, a BHTrans e o Detran-MG se uniram para regularizar a situação de todos os veículos que vão circular com os bloquinhos.

Ao multar e tirar os carros de circulação, a Polícia Militar informou eles não tinham autorização para funcionar como trio elétrico. Então, Brilha!, Tchanzinho Zona Norte, Garotas Solteiras, Juventude Bronzeada e Pisa da Fulô seriam alguns dos blocos prejudicados. 

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Força-tarefa

Para evitar os transtornos, a BHTrans se comprometeu a encaminhar, ainda na tarde desta segunda-feira (17), a relação de todas as placas de carros que vão acompanhar os bloquinhos. A intenção é que o Detran agilize a autorização para que eles possam circular sem impedimentos.

O Detran já garantiu que, se necessário, fará convocação de equipe extra para normalizar a situação dos veículos.

Pisa na Fulô

Pisa na Fulô é um dos grandes blocos que utilizam carros de som adaptados para a folia

Passo a passo

O órgão explicou que, com as placas em mãos, consegue emitir o documento para que os proprietários dos automóveis façam inspeção em uma empresa credenciada pelo Inmetro. Depois deste procedimento, o laudo de Certificado de Segurança Veicular é emitido.

Então, os donos dos carros de som preenchem um formulário no site do Detran, pagam uma taxa de R$ 89,08 e, depois, fazem a vistoria no órgão. Tudo isso tem que ser feito até sexta-feira, quando os grandes blocos que utilizam os trios vão desfilar.

Entenda

Depois que os dois carros de som foram apreendidos, vários blocos de rua e o dono do veículo reclamaram que não sabiam da documentação. "Desde outubro participo de reuniões com a BHTrans e o Corpo de Bombeiros, e estou com todas as documentações que foram exigidas. Agora a PM chegou com essa nova regra, mas sem aviso prévio", lamentou Emerson Eustáquio, da empresa Emersom.

Fundadora e produtora do Tchanzinho Zona Norte, Laila Heringer reforça que a norma não havia sido informada pelos órgãos envolvidos no Carnaval de BH. "Foram vários encontros, e pensamos que estava tudo correto", contou.

Porta-voz do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), o tenente Marco Antônio Said destaca que o Código de Trânsito Brasileiro é de 1997, sendo que nenhuma nova regra foi criada pela corporação. "O código prevê que não podem ser transportadas pessoas no compartimento de carga, e isso foi o que aconteceu com os trios removidos", disse.

O oficial explica que, após fazer a adaptação do veículo, como ocorreu nos carros de som, "é preciso procurar o Detran para fazer a vistoria numa empresa credenciada, permitido o Certificado de Segurança Veicular e transformando aquele veículo em trio elétrico, para que ele possa transportar pessoas. Não é simplesmente pegar o veículo, adaptar o som na carroceria e achar que está tudo ok", explicou o militar.

Procurada pela reportagem, a Belotur ainda não se manifestou. A prefeitura, por sua vez, disse que a PM seria a responsável pelo posicionamento.

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