Dia de Natal tem tradição de visitação a presépios por grupos de Folia de Reis até 6 de janeiro

Luciane Amaral
@lucianeamaral
25/12/2021 às 18:20.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:37
 (Isabel Cassimira Gasparino)

(Isabel Cassimira Gasparino)

Isabel Cassimira Gasparino

Tradicional visita de grupos de Folia de Reis à Casa do Reino

O dia de Natal tem um significado especial para os grupos de Folias de Reis. A tradição manda que os integrantes saiam de casa em casa para adorar o menino Jesus, que, geralmente, é colocado na manjedoura no presépio dia 25. 

Quem explica é a Rainha Conga do Guarda de Moçambique Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário, Isabel Cassimira Gasparino, de 60 anos, herdeira da coroa do grupo fundado por sua mãe, em 1944, no bairro Concórdia, região Nordeste da capital. Dona Belinha também é a Rainha Conga do Estado de Minas Gerais e a responsável pela condução das festas do Reinado.

Ela conta que os grupos têm em torno de 20 a 30 pessoas. “Tem gente que tira férias nesta época do ano, só para poder participar da adoração ao menino Jesus.” - diz satisfeita com a devoção dos integrantes. Eles saem na noite de Natal, depois da ceia, visitando primeiro os vizinhos do reino, mais perto de casa, na própria comunidade; depois, vão ampliando o raio até alcançarem grupos de outras cidades da região metropolitana.  “Eles não repetem as casas, têm um roteiro que vão seguindo durante vários dias” - diz a Rainha Conga.

Os grupos vão fardados, levam a bandeira dos Reis Magos e cantam hinos que contam desde a anunciação do anjo a Maria, a gravidez por intervenção do Divino Espírito Santo, até a peregrinação de Nossa Senhora e o nascimento de Cristo, em Belém.

Na manifestação cultural e festiva, os foliões passam de casa em casa em coro e são recebidos com comidas e bebidas típicas, além de outras oferendas. Depois das orações diante do presépio e da cantoria, eles descansam, tiram as máscaras, trocam a indumentária e seguem para outra casa do reino.

A Folia de Reis, que é patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais desde 2017, também homenageia os três Reis Magos - Belchior, Gaspar e Baltazar. Convertidos em santos pela Igreja Católica, eles teriam saído do Oriente guiados por uma estrela para visitar Jesus, levando ouro, incenso e mirra como presentes ao recém-nascido Rei do Reis. “Um dos reis era africano e se encontrou no deserto com os outros dois para irem juntos, na mesma jornada, ao encontro de Maria e do Menino Jesus” - conta Isabel Cassimira.

A visitação dos Reis segue até o dia 6 de janeiro, quando são desarmados os presépios, as árvores e os demais enfeites de Natal. É também nesta data que os católicos de algumas regiões do Brasil se mobilizam no Reisado ou Festa de Santo Reis, entre outros nomes, em uma grande celebração. 

Em cada local, há também particularidades, como encenações dos reis magos, desfiles, danças, repertórios, instrumentos musicais e roupas. Minas Gerais é um dos estados onde a Folia de Reis mais se faz presente, resguardando uma tradição de aproximadamente 300 anos.

Além do reisado, os grupos continuam as homenagens, como a folia de São Sebastião, a partir do dia 7 de janeiro, conclui a Rainha Conga.

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