A empresária e cozinheira dona Lucinha, conhecida por ter fundado a rede de restaurantes de comida mineira em Belo Horizonte, morreu na manhã desta terça-feira (9), aos 86 anos, na capital. Nesta terça, as unidades ficarão fechadas em luto pela cozinheira e idealizadora da rede.  

De acordo com um dos funcionários da rede, que tem dois estabelecimentos no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de BH, e um em Moema, em São Paulo capital, Lucinha não estava internada ou apresentava problemas de saúde conhecidos.

O jornalista Orlando Augusto Carneiro Guerra, de 68 anos, que não é filho natural de Dona Lucinha mas foi criado por ela durante parte de sua vida, conta que a "mãe" morreu um infarto fulminante pouco tempo após acordar nesta terça, em sua casa no bairro Funcionários, região Centro-Sul da capital. "Ela estava rezando, sentada na cama, quando faleceu. Foi em paz", detalha. 

Ainda segundo ele, Lucinha estava bem na segunda-feira (8), almoçou e jantou normalmente. "Na sexta-feira (5), em um encontro da família, ela chegou a dizer que estava achando que a hora dela estava chegando, que tinha que confessar os pecados, e rezou com alguns dos netos. O clima é de total consternação entre a família", lembrou. 

O velório terá início às 8h no cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, na região Oeste de Belo Horizonte. A cremação está prevista para acontecer às 16h. 

História

Dona Lucinha nasceu em 21 de novembro de 1932 no Serro, na região Central do Estado. Mãe de 11 filhos e avó de mais de 20 netos, Lucinha atuou na cidade como salgadeira, doceira, feirante, quitandeira, além de diretora escolar, vereadora, catequista e professora. Em entrevistas, Lucinha afirmava que se considerava uma cozinheira que se dedica a fazer, compreender e preservar a cozinha de origem, gerada nos primeiros anos dos setecentos nas Minas do Ouro e do Diamante. 

A cozinheira conversou em 2015 com o Hoje em Dia e contou que gosta de cozinhar desde menina, com 18 anos. "Em casa, com a mamãe, fazíamos guisadinho, mas o mais importante é que quando nós começávamos a fazer essas coisas, as visitas que chegavam iam logo falando: ‘Nossa Senhora, isso é bom demais, tem que passar para outras pessoas’. Lá no Serro, quando fui designada para ser diretora escolar, fiz uma pesquisa também sobre o que os alunos escondiam no mato. É que na hora do recreio eles corriam pra lá. Acabei descobrindo que era a própria merenda deles. Guardavam para comer na volta porque a distância era muito grande até em casa", lembra. Leia a entrevista completa aqui.

Lucinha é respeitada internacionalmente como a maior representante da elogiada cozinha mineira. Há 4 anos atrás, ela virou até mesmo tema de enredo da escola de samba Salgueiro, no Carnaval do Rio de Janeiro. Na época, a escola ficou com a segunda colocação e foi motivo de muito orgulho para a cozinheira. “Fiquei surpresa e emocionada com o carinho da escola, com a proporção que o tema tomou”, disse na época, quando tinha 82 anos. 

Comoção

Nas redes sociais, a notícia da morte de Dona Lucinha já comove conhecidos e amantes da culinária mineira. "Hoje a gastronomia brasileira está triste. De luto. Nossa amada mineira Dona Lucinha virou estrela. Que legado de luz, generosidade, afeto, criatividade, força serrana e puro acolhimento ao receber", diz uma das publicações. 

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