Não apenas os estudantes ficam sobrecarregados durante a preparação para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Professores acumulam horas extras de trabalho para dar conta da demanda por aulas particulares e intensivos de revisão. A carga horária dos educadores chega até a dobrar com a proximidade do processo seletivo. 

Os candidatos que buscam o reforço personalizado querem orientações sobre conteúdos mais exigidos e formas de otimizar o tempo, além de dicas para se dar bem conforme a Teoria de Resposta ao Item. “Não adianta só acertar o exercício difícil quando se erra o fácil”, ensina o professor Sérgio Valicente.

Formado em Matemática há 20 anos, ele abriu mão da carteira assinada para alugar uma sala na Savassi, região Centro-Sul de BH, onde leciona. “Em fevereiro, virei Microempreendedor Individual e recebo estudantes que querem ajuda”. 

Atualmente, são atendidas 40 pessoas. Desde setembro ele não consegue organizar intervalos para o próprio descanso. “Nas últimas semanas, cheguei a dar 50 aulas. Antes, a média era 25”. 

Uma das alunas é Ana Cecília Louback, de 19 anos, que também frequenta um pré-vestibular. “O atendimento personalizado tranquiliza e dá mais segurança”, diz a jovem, que tem reforço particular há um mês. “A prova é extensa e com muito conteúdo”, afirma. Ela pretende uma vaga em Engenharia de Produção.

Renda extra

Quem também está com uma rotina sobrecarregada é o docente Leonardo de Andrade. Além de lecionar no Pré-Enem das Faculdades Promove, no Colégio Chromos e em um cursinho popular de Santa Luzia, na Grande BH, ele recebe alunos para atendimento individualizado no bairro São José, na Pampulha. “É um trabalho autônomo. Consigo um faturamento bom e faço o que gosto”, conta. 

3,9 milhões de estudantes participaram da primeira etapa do Enem, há quatro dias. No próximo domingo, os candidatos responderão questões de Matemática e Ciências da Natureza

Conforme o professor de Biologia, desde agosto a procura pelo serviço aumentou 50%. “Hoje, dos dez alunos que tenho, seis buscam melhores resultados no Enem”. Com o fim do ano letivo, além da demanda para o exame nacional, os educadores são contratados para ajudar aqueles que estão em recuperação, devido ao desempenho ruim no ensino regular.

Além disso

Apesar do desgaste com a carga horária extensa, os educadores ressaltam que o trabalho é gratificante. Conforme o professor de Matemática Renato Carneiro, na última edição do Enem, um aluno dele conquistou nota máxima – 996,1 pontos –, após acertar as 45 questões de exatas. “Não tem preço. Receber nem que seja uma mensagem falando que foi a minha explicação que ajudou, é muito revigorante”, frisa. Com a segunda etapa do exame prestes a acontecer, além das aulas no ensino regular e nos pré-vestibulares Bernoulli e Soma, Carneiro mantém uma sala com outros quatro amigos. “Nessa reta final, chego a trabalhar 14 horas por dia, sete a mais do que há dois meses”. No Youtube, ele disponibiliza vídeos com os conteúdos importantes da disciplina.