A UFMG manifestou, na manhã desta sexta-feira (3), “apreensão” com o corte de 30% do orçamento das instituições de ensino superior divulgado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, no início da semana. Por meio de nota, a maior federal mineira afirmou que a medida representará um “imenso retrocesso, capaz de impactar a vida de toda a comunidade”. “Não se constrói um país sem investimento contínuo e sustentável em educação, cultura, ciência e tecnologia”, diz o texto. 

No documento, a universidade garante que as atividades acadêmicas programadas serão mantidas, mas aponta que o pagamento de serviços essenciais como pagamento de água, luz e insumos e suprimentos essenciais para laboratórios e salas de aula será impossibilitado com o bloqueio dos recursos, “ trazendo graves prejuízos à formação dos estudantes e às atividades de ensino, pesquisa e extensão”. 

Contratos com empresas terceirizadas também podem ser descontinuados, caso a decisão do governo federal se mantenha. Conforme a nota, assinada pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida, e pelo vice-reitor, Alessandro Fernandes Moreira, a UFMG ainda não foi oficialmente notificada pelo Ministério da Educação. Eles afirmam que a comunidade acadêmica será informada sobre decisões tomadas em função das restrições orçamentárias. Leia a nota completa aqui.

Assistência estudantil

Embora, a instituição garanta a manutenção do calendário acadêmico, estudantes temem que as ações de assistência estudantil da universidade, voltadas às pessoas de baixa renda, sejam prejudicadas pelo corte. O aluno de administração da UFMG João Vitor Pinheiro, de 24 anos, lembra que, por alguns anos, só conseguiu ir até o campus da Pampulha porque recebia auxílio transporte da federal. Atualmente, ele utiliza o vale transporte do estágio para se locomover. 

“A ajuda é justamente para quem não tem condições de arcar com os cursos de uma faculdade. Muitas pessoas dependem disso. Se a federal oferta menos bolsas, é possível até que alguns estudantes cogitem até desistir da graduação”, observa. Ele também receia que a capacidade dos restaurantes universitários seja reduzida: “não tem como não afetar, hoje já precisamos de ampliação do bandejão porque as filas são gigantescas na hora do almoço”. 

Grupos contrários à medida já estão se mobilizando para realizar rodas de conversa e atos, como explica o aluno da licenciatura em geografia Gabriel Silveira, de 21 anos. “Já é difícil para o pobre entrar em uma universidade pública, quanto mais se manter nela e garantir a ascensão social. Por isso estamos nos organizando. No próximo dia 7, por exemplo, haverá uma assembleia estudantil no Instituto de Geociências, com Geografia, Geologia e Turismo, em que estudo”, diz.  

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