A Tüv Süd, empresa alemã que atestou a estabilidade da Barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vai ser julgada nesta terça-feira (28), na Alemanha.

A companhia é acusada de ser uma das responsáveis pelo rompimento da barragem, em janeiro de 2019, que matou 272 pessoas e causou um enorme desastre ambiental. 

O julgamento, que começou às 9h30 em Munique (4h40 de Brasília), não tem hora para acabar. Mas, de acordo com os advogados que representam o município e familiares das vítimas, é possível que um veredito saia ainda hoje.

O prefeito de Brumadinho, Nenen da Asa (PV), participará da audiência. “Eles continuam fugindo de suas responsabilidades em ajudar a reconstruir o nosso município. Se está disposta a falar sobre reparação, estamos dispostos a ouvir. Caso contrário, o povo de Brumadinho tem plena confiança na Justiça alemã”, disse. 

A reportagem do Hoje em Dia procurou a Tüv Süd para se posicionar sobre as acusações, mas não teve retorno até a publicação da matéria.

Acusações

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sustenta que a Tüv Süd é corresponsável pela tragédia. A denúncia apresentada à Justiça mineira apontou um conluio entre a Vale e a companhia alemã. Ambas as empresas foram acusadas de assumirem os riscos de rompimento porque teriam conhecimento da situação crítica da barragem, mas não compartilharam as informações com o poder público e com a sociedade.

Após a tragédia, não apenas a Tüv Süd, como outras empresas de consultoria contratadas pela Vale, passaram a revisar seus estudos e colocaram em dúvida a estabilidade de outras barragens em Minas Gerais. Em algumas cidades, essa reavaliação constatou a existência de riscos de ruptura em algumas estruturas, tornando necessária a realização de evacuações preventivas. Em maio de 2019, a Tüv Süd foi proibida de emitir novos laudos.

Leia mais:

Câmara de BH aprova em 2º turno PL que cria 'Auxílio Belo Horizonte' para 387 mil famílias carentes
Congresso aprova projeto que libera R$ 2,8 bilhões para ampliação do metrô de BH