A situação econômica das 35 empresas de ônibus que rodam em Belo Horizonte é apontada como principal justificativa para a falta de cobradores nos coletivos municipais. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH), Joel Paschoalin, as empresas estão fechando as contas no vermelho, com déficit de aproximadamente R$ 20 milhões mensais, e, por isso, com dificuldades em manter o quadro em pleno funcionamento.

Segundo Paschoalin, o déficit tem relação com o aumento do preço do combustível, com o valor da manutenção dos veículos e, também, com o salário dos funcionários. "Estamos com dificuldades para manter o nosso quadro de motoristas e cobradores. Algumas empresas estão com tanta dificuldade que não deverão pagar o 13° salário", revelou.

O anúncio foi feito na tarde desta segunda-feira (17) após a declaração do prefeito Alexandre Kalil, em seu perfil no Twitter. O chefe do Executivo municipal, que durante campanha já havia prometido "abrir a caixa preta da BHTrans", afirmou que, "se as empresas de ônibus fazem o que querem, vão receber o troco”. A promessa é que até o fim desta semana, a prefeitura realize uma coletiva de imprensa para informar os resultados obtidos com a auditoria dos contratos entre as empresas  a BHTrans. 

Nesta segunda, o Hoje em dia denunciou a ausência de cobradores em alguns ônibus da capital

Multa

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que foram aplicadas, de janeiro a novembro deste ano, 8.726 multas às empresas de ônibus, totalizando R$ 5.808.723,68. "As multas estão sendo enviadas à Secretaria Municipal de Fazenda para as devidas providências", afirmou.

Questionado sobre as autuações, Paschoalin afirmou que as empresas estão recorrendo. "Não concordamos com muitas delas. Está havendo confusão porque estamos vendo casos nas linhas alimentadoras, que fazem ligação ao Sistema Move, que podem rodar sem os trocadores", afirmou.

Apesar das notificações, o representante do sindicato ponderou que a determinação é que as empresas cumpram a legislação. Atualmente, podem rodar sem cobradores os ônibus ligados ao Move, além de outras linhas aos sábados, domingos e em horário noturno.

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