As empresas responsáveis pelas plataformas que supostamente estariam reproduzindo a imagem e mensagens da boneca Momo têm até esta segunda-feira (18) para darem uma resposta ao Ministério Público da Bahia (MPBA), que notificou a Google - responsável pelo YouTube Kids - e o WhatsApp sobre o assunto.

O órgão informou que, por meio do Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos (Nucciber), instaurou um procedimento para apurar a situação. Procurados pela reportagem, a Google respondeu que não encontrou evidências recentes da aparição da Momo em vídeos no YouTube Kids, e a assessoria do WhatsApp disse que "se preocupa muito com a segurança dos usuários. É fácil bloquear qualquer número de telefone e encorajamos que os usuários nos reportem mensagens problemáticas para que possamos agir sobre elas".

Apesar de encabeçada pela Justiça baiana, a ação tem efeito em todos o território nacional. Promotor daquele Estado, Moacir Nascimento, lembra que a incidência de Momo nas plataformas, não é novidade. 

"Desde o ano passado houve uma ampla repercussão destes compartilhamentos utilizando a personagem de uma escultura japonesa meio ameaçadora [chamada de Momo] que enviaria mensagens a crianças e adolescentes para induzir o suicídio e a automutilação. O assunto deu uma acalmada, mas voltou à tona nesse fim de semana após a notícia ser veiculada em uma revista conceituada na área de crianças e educação", explica. 

Isso levou o órgão a instaurar o procedimento e a notificar as plataformas a retirarem os conteúdos ameaçadores do ar, especialmente nos canais destinados ao público infantil e adolescente. O MPBA não informou o que será feito após se esgotar o prazo para as empresas se manifestarem, já que isso atrapalharia as investigações do Nucciber, que incluem a coleta de dados e provas sobre o assunto. 

Procurado pela reportagem, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que, até o momento, não houve nenhuma denúncia sobre o material da Momo em Minas. 

"Não abandone seus filhos na internet"

O promotor Moacir Nascimento compara o uso sem supervisão da internet por crianças com o abandono dos filhos em praça pública. "A mensagem que eu gostaria de passar é: pais, não abandonem seus filhos na internet, da mesma forma que nunca os abandonariam em uma praça pública. Crianças a partir dos 6 anos já utilizam smartphones livremente, e WhatsApp, Facebook. É preciso que haja um acompanhamento dessas atividades, pois além de casos como a Momo, há muitas pessoas que podem se beneficiar disso, como pedófilos e chantagistas", explica. 

Como forma de "solucionar" o problema de conteúdos impróprios que sejam veiculados nas plataformas, ele ainda sugere um reforço nas tecnologias. "Todas as ferramentas tecnológicas devem ser utilizadas para que isso não aconteça, como são utilizadas, por exemplo, para garantir que os direitos autorais sejam respeitados. Há todo um arsenal de programas e tecnologia que impedem que eu, você e qualquer pessoa poste um vídeo com direitos autorais na plataforma, por meio de uma filtragem rigorosa de conteúdos. É preciso colocar esta mesma infraestrutura também a serviço da proteção de crianças e adolescentes", conclui. 

Dicas para os pais

Nascimento ainda dá algumas dicas para ajudar aos pais a evitarem que seus filhos tenham acesso a qualquer conteúdo impróprio na internet. "Primeiro, acompanhem seus filhos e jamais o deixem usar a rede sem supervisão. Não acreditem que uma máquina, um computador, tenha capacidade de filtrar todo conteúdo, isso é uma função dos pais", determina. 

Outra dica é para que os filtros adicionais do YouTube Kids sejam utilizados, como o que bloqueia o acesso dos pequenos à ferramenta de busca da plataforma. E por fim, ele recomenda o uso de outros meios para entreter os pequenos e que oferecem menos riscos, como o perfil kids da Netflix. 

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