Cadeirantes reclamam da falta de acessibilidade para a prática de atividades de lazer em Belo Horizonte. As más condições do transporte público também prejudicam os deslocamentos pela cidade. As informações estão em uma pesquisa feita pela Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG.

Uma dissertação de mestrado coletou dados de 553 participantes. Dentre eles, 126 cadeirantes foram selecionados. Do grupo, 43% são mulheres e 57% homens, com média de idade de 49 anos.

A conclusão foi que mais da metade dos entrevistados mencionou "navegar na internet" e "usar redes sociais" como as principais atividades de lazer. Somente 11 citaram programas culturais, como a visita a cinemas, museus, teatros e exposições.

De acordo com o estudo, além das restrições ligadas à renda e à escolaridade, limitações físicas de cada pessoa somadas aos fatores ambientais influenciam na qualidade e na satisfação com a recreação.

Durante a pesquisa, os entrevistados ressaltaram que as calçadas de BH encontram-se em "más condições". Dentre as armadilhas, buracos e falta de rampas de acesso, impedindo a locomoção. 

O transporte público também aparece como um entrave. De acordo com o levantamento, os transtornos envolvem o despreparo dos funcionários, "já que muitas vezes o próprio motorista é quem tem que se deslocar da direção para auxiliar no embarque".

Posicionamento da PBH

Por meio de nota, a Prefeitura alegou que, de acordo com o Código de Posturas, a condição das calçadas é de responsabilidade dos donos dos imóveis, que respondem pela "construção, conservação e manutenção do passeio".

A estrutura é obrigatória nas ruas pavimentadas e deve seguir normas como "ter obrigatoriamente uma faixa reservada a trânsito de pedestres e, sempre que possível, uma faixa destinada a mobiliário urbano". 

Ainda segundo o executivo municipal, é exigido o revestimento de material "antiderrapante, resistente e capaz de garantir a formação de uma superfície contínua, sem ressalto ou depressão". A PBH afirma que faz vistorias diárias para verificar se as normas estão sendo cumpridas.

Sobre as condições dos ônibus em relação a cadeirantes, o poder público informou que toda a frota da cidade é acessível, "operando com plataformas elevatórias (elevador) e/ou com acesso em nível (veículos MOVE com porta à esquerda)".

A nota informou ainda que cabe às empresas de ônibus o treinamento dos funcionários para facilitar o acesso de pessoas com deficência. "Esse item, que consta dos contratos de concessão, em caso de descumprimento acarreta penalidades".

Ainda segundo a Prefeitura, qualquer irregularidade ou reclamação sobre o estado de conservação dos passeios e outras podem ser feitas por meio do PBHAPP e do site da BHTrans.

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