Para chegar a uma confirmação de reinfecção por Covid-19, como a primeira registrada no Brasil e divulgada nesta quinta-feira (10), é preciso a avaliação de uma soma de fatores. Além de dois resultados positivos do exame RT-PCR, atestando o vírus no organismo em ambos os casos, é preciso a comprovação de uma nova presença de sintomas em um paciente que registrou o primeiro episódio confirmado, laboratorialmente, em um período acima de 90 dias. 

A confirmação, por fim, é feita através de um exame que avalia o sequenciamento do genoma completo viral para identificar duas linhagens distintas, como explica o infectologista e membro do comitê de enfrentamento à Covid-19 em Belo Horizonte, Estevão Urbano. “Basicamente é quando a gente tem que pegar o vírus da primeira infecção e fazer um estudo para entender o código genético desse vírus. Depois, pegamos o vírus da segunda infecção e fazemos o mapeamento genético novamente. Assim, conseguimos chegar a um resultado de uma reinfecção, ou não. Fazemos um estudo completo do sequenciamento genético do vírus. Por isso, não é fácil afirmar com certeza absoluta uma reinfecção”, avaliou.

A complexidade do exame faz com que os casos de reinfecção não sejam confirmados tão facilmente. Em Minas Gerais, por exemplo, há 15 notificações suspeitas em investigação. Em Belo Horizonte são sete. “Eu mesmo já atendi diversos casos, mas que não tiveram comprovação pela dificuldade dos exames que são feitos para essa confirmação. São exames extremamente difíceis e ainda temos que dar sorte de o vírus estar no laboratório para poder fazer essa comparação. Na maioria das vezes você não tem um banco para comparar, em poucos casos você consegue mapear os dois para mostrar que não é o mesmo”, finalizou.

Primeiro caso de reinfecção 

O primeiro caso de reinfecção por Covid-19 no país trata-se de um profissional da área da saúde, de 37 anos, de Natal, no Rio Grande do Norte. Ele teria se infectado pelo coronavírus pela primeira vez em junho e se curou da doença.

Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde investiga 15 casos suspeitos. Os estudos são realizados pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (CIEVS), em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e regionais de saúde.  

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