Divulgar as pesquisas e a contribuição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para a população é a ideia por trás do Instagram @UFMGpesquisa, criado nessa quarta-feira (8) por três mestrandas no programa de pós-graduação do curso de Geografia. Em apenas 12 horas, a conta chegou a 1000 seguidores e, nesta quinta-feira (9), já ultrapassa 1.700 seguidores. 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Olá, somos o @ufmgpesquisa, uma iniciativa de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais que busca trazer para o grande público o que é desenvolvido dentro da UFMG. É importante que o público externo também tome ciência sobre o que se produz, porque e como se produz a pesquisa dentro da Universidade. Vimos nas plataformas digitais uma forma de criar uma ponte para facilitar o diálogo entre academia e sociedade civil. A proposta é construir uma ferramenta colaborativa, em que os pesquisadores das mais diversas formações e níveis contribuam alimentando a página e disseminando conhecimento. #pesquisaUFMG #extensaoUFMG #nucleopesquisaUFMG #qualidadeUFMG #aconteceUFMG

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A motivação é o recente bloqueio de 30% da verba destinada às universidades federais do país, que irá mitigar a verba discricionária destinada à UFMG, atualmente de R$ 215 milhões. Com o corte, a universidade perderá R$ 65 milhões deste recurso, colocando em risco as pesquisas em andamento. 

"A gente entende que a atual conjuntura do país tem trazido também uma leva de desinformação, que vem da falta de conhecimento sobre o que acontece dentro da UFMG. Encontramos nas redes sociais uma forma de mostrar isso ao grande público e democratizar o acesso", explica a geógrafa Polyana Duarte, de 22 anos, uma das criadoras da conta no Instagram.

Além de mediar o acesso entre a sociedade e a comunidade acadêmica, o @UFMGpesquisa também abre o canal para que pesquisadores e estudantes divulgem suas pesquisas e o trabalho científico que realizam. Basta enviar uma mensagem para a conta ou obter as informações nos destaques disponíveis na plataforma. 

"Vamos postar as pesquisas, mestrados, doutorados, iniciação científica ou trabalho de conclusão de curso de qualquer curso ou departamento da universidade. A pesquisa no Brasil nunca foi fácil e ser pesquisador não é por status, é para ajudar o país a crescer. A pesquisa é importante e traz resultados", conta.   

Referência em pesquisa e patentes 

Para se ter uma ideia, a UFMG é uma das entidades que mais deposita patentes no país. Somente no ano passado foram 75 envios de patente, e em 2017, 92. Este ano a universidade já fez o envio de 13 pedidos de patentes. A maior parte dos depósitos de patente (29,5%) é encabeçada pelo Instituto de Ciências Biológicas, seguida pelo Instituto de Ciências Exatas (26,7%), pela Faculdade de Engenharia (20,2%) e pela Faculdade de Farmácia (9,3%). 

Uma vacina que mata o mosquito da dengue, um fertilizante potente à base de ureia, uma vacina para tratar dependentes de cocaína, uma cadeira de rodas com sistema de elevação a baixo custo e biomarcadores para infarto e outras doenças são alguns dos projetos desenvolvidos em pesquisas dentro da UFMG. 

O contingenciamento da verba coloca em risco também os atendimentos gratuitos ou a baixo custo oferecidos nas clínicas veterinárias e odontológica da universidade.   

Contingenciamento

Conforme informações da universidade, o bloqueio de 30% incide sobre a chamada verba discricionária, recurso usado na manutenção da infraestrutura dos campi, no pagamento de bolsas, contratos com empresas terceirizadas, contas de água e energia elétrica e outras despesas de custeio e capital necessárias ao funcionamento da Instituição. Ficam de fora dessa verba os salários dos servidores – professores e técnicos – ativos e inativos.  

“É com essa verba que a UFMG paga contas de água, energia elétrica, serviços terceirizados, bolsas de graduação, de extensão e toda a manutenção dos laboratórios (de graduação e pesquisa) e das unidades acadêmicas. Se efetivado, o corte atingirá o funcionamento da instituição e prejudicará diversos serviços que a UFMG oferece à sociedade, como os prestados pelas ações de extensão, pelas clínicas odontológicas, da Faculdade de Odontologia, e pelo Hospital Veterinário, da Escola de Veterinária”, informou a reitora Sandra Regina Goulart Almeida.  

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