A falta de medicamentos do "kit intubação" obrigou a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) a fechar leitos para tratamento de Covid-19 na cidade. Até o momento, foram desmobilizadas dez vagas no Hospital Luxemburgo, na região Centro-Sul, informou o secretário municipal de Saúde, Jackson Pinto Machado, durante live realizada nesta sexta-feira (9) pelo Conselho de Saúde da capital.

O titular da pasta ressaltou que a escassez de insumos é um problema nacional, mas a preocupação é grande. “Os hospitais estão comprando kits de intubação com aumento de até 500% do preço. Os fornecedores não têm fornecido para ninguém porque a demanda é muito alta. Então, estamos realmente vivendo realmente uma situação de calamidade, uma situação desesperadora”, frisou.

Jackson Machado destacou, ainda, que, só em março deste ano, 273 unidades de terapia intensiva foram criadas em BH para atendimento a pacientes com Covid-19. No total, a capital dispõe de 570 vagas. “A explosão de casos levou à lotação das UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) e das UTIs”, complementou.

Também participante da live, o secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, reforçou que a dificuldade de aquisição de insumos decorre da requisição administrativa feita pelo governo federal às principais empresas fornecedoras do “kit intubação”. “Pegou todo o estoque e levou para o Ministério da Saúde. A entrega (dos produtos) aos hospitais foi descontinuada”, disse.

O material que o Estado consegue comprar, ainda segundo o secretário, é distribuído imediatamente quando chega por aqui. “A gente não consegue garantir dois ou três dias de insumos, não temos nenhum estoque neste momento”, revelou.

Para saber o real estoque do "kit intubação" em Minas, Baccheretti anunciou que, em parceria com o Ministério Público (MP), será feita uma auditoria nos hospitais. Segundo ele, existe unidade de saúde que afirma ter pouco material, mas, quando vai avaliar, a quantidade consegue suprir a demanda.

Reunião

Após a live do Conselho Municipal de Saúde, os secretários Jackson Machado e Fábio Baccheretti se reuniram para discutir o aumento da demanda do kit intubação. Por meio da assessoria, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou que os dois gestores conversaram, por telefone, sobre estratégias em conjunto para minimizar os impactos da pandemia, como a falta dos insumos necessários para a intubação de pacientes com Covid.

Procurada, a Secretaria de Saúde de BH (SMSA) disse, em nota, que os estoques de medicamentos sedativos, bloqueadores neuromusculares e outros adjuvantes utilizados são monitorados diariamente nos hospitais da rede pública de Belo Horizonte, nas UPAs e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "A prefeitura recebeu doações de associações e reconhece a importância da ação, o que permitiu um pequeno abastecimento da rede. Porém, o consumo diário na Rede SUS-BH é muito alto", completou.

Ainda de acordo com a pasta, o estoque de oxigênio está abastecido na capital. "É importante ressaltar que foi realizado um termo aditivo no contrato possibilitando o aumento de 25% no fornecimento do gás medicinal para a SMSA".

Tanto a SMSA quanto a SES não informaram se alguma estratégia foi definida a partir da conversa entre os secretários.

Leia Mais:

Hospital da Baleia faz adequações terapêuticas para suprir falta de medicamentos do 'kit intubação'
Hospital da Baleia utiliza capacete respiratório como opção no tratamento da Covid-19
Covid-19: farmacêuticas levam multa por vender remédio acima do preço