Os furtos dentro do transporte coletivo de Belo Horizonte deram um salto de 114% nos últimos cinco anos. Só em 2019, as ocorrências cresceram quase 46%, chegando a 3.705 – uma média de 308 a cada mês. Já em 2018, 2.539 delitos foram reportados às autoridades.

As estatísticas da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) abrangem crimes registrados em ônibus, inclusive os de viagens, e metrô, no perímetro da capital.

Especialistas apontam, principalmente, a distração do passageiro como facilitadora para o criminoso em busca de oportunidades. A pessoa atenta ao celular, por exemplo, acaba descuidando de bolsas e outros pertences.

Mas até mesmo o uso do telefone chama a atenção do bandido. “Há usuário que mexe no aparelho com a janela aberta. O ladrão, do lado de fora, pode colocar a mão e tomar o celular”, frisa o policial federal aposentado José Roberto Lima, professor de Direito Penal das Faculdades Kennedy. 

A desatenção e as bolsas com muitos bolsos também são chamarizes para os criminosos, destaca o especialista em segurança pública Leopoldo de Vasconcelos Maria, coronel reformado da PM. Segundo ele, a superlotação dos veículos, deixando os passageiros mais “colados” uns nos outros, ainda contribue para a prática do delito.

Na contramão
Se a quantidade de furtos cresceu significativamente na cidade, a de roubos, por outro lado, reduziu consideravelmente. No ano passado, foram 784 – uma queda de 40% em relação a 2018.

Em nota, o Comando de Policiamento da Capital (CPC) disse que lança mão de tecnologias, como o videomonitoramento, para potencializar a vigilância principalmente em pontos de ônibus e principais corredores da capital. Frequentemente, militares adentram os coletivos, coibindo a ação de assaltantes.

A Guarda Municipal também destaca a presença, desde 2017, de agentes em linhas de ônibus que trafegam nas avenidas Antônio Carlos e Nossa Senhora do Carmo. No ano passado, até novembro, eles fizeram 12.568 viagens, que resultaram na detenção de 64 pessoas, por porte de armas e posse de drogas.

Já a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que gerencia o metrô de BH, diz que rondas diárias feitas por mais de 250 agentes metroferroviários, fardados e à paisana, são ações para combater tanto os furtos quanto os roubos dentro dos vagões. Há, ainda, 400 câmeras fixas nas estações e outras 320 instaladas nos trens da nova frota.

Desde ontem, ocorrências de furto em Minas Gerais podem ser registradas pela internet, na Delegacia Virtual, sem a necessidade de a vítima ir até uma unidade policial 

Furto Transporte Coletivo