A campanha "Linha Segura", lançada na última quinta-feira (1º) pelo jornal Hoje em Dia, ganhou um reforço nesta semana. O garoto Gabriel Lucas Alves Nascimento, de 15 anos, que teve uma das pernas amputada após ser ferido por uma linha chilena, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, deu seu depoimento em um vídeo para conscientizar a população sobre a importância de denunciar quem solta pipas com estas linhas cortantes e, também, aqueles que as vendem. 

O menor contou detalhes do que aconteceu no dia do acidente, ocorrido no momento em que ele voltava de um treino de futebol, lembrando que por pouco ele não morreu. "Questão de 3 minutos a mais e eu falecia ali, porque eu perdi muito sangue. Foi bem triste (saber que perderia a perna), chorei muito, era meu sonho de ser jogador de futebol. Mas, felizmente, eu tive o apoio dos meus pais, médicos, jogadores de futebol, todos falando que ia ser tudo normal, que eu só ia começar uma nova etapa na minha vida", disse o garoto. 

A mãe dele, a comerciante Regina Alves Lopes do Nascimento, de 45 anos, fez um apelo para que as pessoas denunciem a prática. "Não deixem seus filhos usarem, porque isso é uma arma cortante. Quando vocês passarem e virem uma pessoa usando linha chilena ou de cerol, denuncie no Dique-Denúncia, 181, você pode estar salvando uma vida. Nós contamos com o apoio de vocês", pediu. 

Linha Segura

A campanha de conscientização e mobilização visa evitar que o cerol destrua vidas e sonhos. Principal medida para evitar novas tragédias, a denúncia do uso ou comércio do material cortante pode ser feita de forma anônima, pelo telefone 181.

Até esta quarta-feira (31), antes mesmo do início da temporada de ventos – que vai de agosto a novembro –, o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII tinha atendido 23 vítimas de ferimentos provocados por cerol ou linha chilena. 

Casos graves também foram registrados no Estado. Uma criança de Visconde do Rio Branco, na Zona de Mata, e o adolescente de Betim tiveram pernas amputadas.

Desde 2002, a utilização e a venda das linhas cortantes é proibida por lei. Quem for flagrado cometendo a irregularidade está sujeito a multas que variam de R$ 100 a R$ 1.500. Se o uso resultar em prejuízos patrimoniais, ferimentos ou morte, o infrator pode parar atrás das grades.

Além do Disque Denúncia 181, as denúncias podem ser feitas pelo 190 da PM. “A pessoa pode, inclusive, acenar para uma viatura e mostrar o local. Mas, se não quiser se identificar por medo, por conhecer o denunciado ou qualquer outra razão, o 181 é a melhor opção”, explica o major da Polícia Militar Flávio Santiago.

Em BH, outro meio de denúncia é o telefone da Guarda Municipal, o 153. Nesta semana, a prefeitura anunciou que vai intensificar a fiscalização.

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