O governador Romeu Zema (Novo) afirmou, na noite desta quinta-feira (12), que determinou à Polícia Militar de Minas Gerais que acompanhe a questão da Guarda Municipal de Belo Horizonte e reforce a segurança em pontos estratégicos da capital mineira. Ontem, todo o efetivo de guardas de BH foi aquartelado a pedido do prefeito Alexandre Kalil (PSD).

Zema detalhou a situação em um vídeo publicado nas redes sociais dele. Na gravação, o governador disse que acompanha de perto e com atenção, e que, por isso, solicitou o apoio da polícia. O plano operacional iniciado após a determinação de Zema prevê, sobretudo, a proteção do cidadão em pontos de guarda patrimonial, como postos de saúde e escolas. 

Ainda no vídeo, Zema afirmou que determinou o apoio dos militares após um pedido feito pelo próprio prefeito de BH.

Na quinta-feira, cerca de 24h após os guardas civis municipais recusarem a proposta de reajuste da PBH e fazerem uma manifestação, Kalil disse, em coletiva, que determinou que todo o efetivo da corporação fosse aquartelado e as viaturas recolhidas. A medida, que fica em vigência por tempo indeterminado, tira os mais de 2 mil guardas municipais das ruas até que a situação se resolva.

"A prefeitura acertou com o sindicato o reajuste de todas as categorias deste ano e do próximo. A Guarda Municipal, através de meia dúzia de três ou quatro, se rebelou e iniciou um pequeno processo de ficar aquartelada, com carros impedindo a saída das viaturas. Eu queria só tranquilizar a população de BH. Tenho que agradecer ao Governo de Minas e à PM, que, mais uma vez, veio até nós nesse momento. Estamos ocupando todos os espaços para a tranquilidade da população", disse o prefeito. 

O prefeito disse ainda ser inadmissível homens armados e fardados marcharem em protesto contra qualquer secretaria ou na porta da prefeitura. "Por uma questão de segurança pública, a PM vai com todas as forças possíveis ocupar os lugares da guarda. Nós continuamos abertos à conversa, mas, mais uma vez, não é assim que se trata as questões de quem usa farda e arma na cintura. Vamos ter que rever todo o procedimento da guarda, a responsabilidade, a parte comportamental de quem usa uma farda e uma arma", disse.

Negociação recomeça

Ainda de acordo com o prefeito, agora a categoria terá que sentar e rediscutir o aumento que já tinham ganho. A proposta apresentada pelo município, que foi recusada pela categoria, foi de um aumento de 7,20% dividido em duas parcelas - sendo a primeira em janeiro e a segunda em dezembro de 2020. Os guardas exigiam um reajuste de 20,23%, além da incorporação do adicional de risco e da Gratificação por Disponibilidade Integral (GDI) ao salário-base, reivindicações que não foram atendidas. 

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) emitiu uma nota em que reitera seu posicionamento de que, neste momento, é fundamental "manter a serenidade e o espaço de diálogo entre a Guarda e a administração municipal". 

O sindicato reforçou ainda que na próxima segunda-feira o presidente da instituição, Israel Arimar, e um representante da Guarda irão se reunir com o prefeito. "O sindicato mantém a convocação para assembleia geral da categoria na terça-feira (17). A expectativa é que o impasse entre a Guarda Civil Municipal e a prefeitura seja resolvido de forma construtiva e satisfatória para todos, principalmente para a população de Belo Horizonte", conclui. 

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