Uma corrida contra o tempo é travada na capital para tentar reduzir ao máximo os transtornos causados por uma sucessão de temporais. Mesmo com os R$ 200 milhões prometidos pelo Estado, mais máquinas nas ruas e o dobro dos servidores empenhados para recuperar vias arrasadas pela enxurrada, quatro dias serão pouco para devolver Belo Horizonte à normalidade antes da próxima segunda-feira, quando acontece a volta às aulas. Desvios, obras em pistas e 50 mil veículos a mais no trânsito, só na área da Contorno, vão exigir muito jogo de cintura dos moradores.

“Tenho que fazer a cidade andar e entrar num nível de caos menor”, disse, ontem, o prefeito Alexandre Kalil. Um desafio e tanto. A região Centro-Sul, que concentra boa parte do comércio e dos serviços na metrópole, e a zona Oeste foram as mais castigadas pela chuva recorde de terça-feira. Importantes corredores viários, como as avenidas Prudente de Morais, Teresa Cristina e Silva Lobo, foram devastados.

Um dia depois do caos, hora da faxina. O efetivo de operários da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), Urbel e Sudecap passou de 1.200 para 2.400. Os trabalhos são feitos com a ajuda de 226 caminhonetes e máquinas, entre retroescavadeiras, caminhões e hidrojatos – antes eram 34.

Só depois da seca

Mesmo assim, a prefeitura avisa que a reconstrução da cidade só irá terminar após a estiagem, em abril. “Reconstrução, só na seca”, afirmou Kalil.

De imediato, uma das preocupações é “ajeitar a casa” para o Carnaval, que acontece daqui a 23 dias. A festa, que deve reunir 5 milhões de foliões e é uma das mais famosas do país, foi mantida. “Esperamos que até lá a cidade já esteja parcialmente recuperada ou então muito bem recuperada”, disse o chefe do Executivo municipal. “Tenham paciência, vamos reconstruir essa cidade”, completou.

Trabalho complexo 

Esperar será necessário para evitar até mesmo novos problemas, destaca o presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape), Clemenceau Chiabi. Porém, ele pondera que, para não deixar a cidade sem rua, paliativamente o asfalto terá que ser refeito. “Mas provavelmente será arrancado novamente”. 

De acordo com o engenheiro, isso ocorre porque, ao trabalhar com material ferroso, o ambiente precisa estar com pouca ou nenhuma umidade. E a previsão é de mais temporais nos próximos dias.

Apesar de existirem “soluções” mais rápidas, o especialista afirma que elas tendem a ser mais caras – e não necessariamente eficazes. “Ao invés de correr para reconstruir o trecho de uma rua destruída, pagando mais por isso, é melhor aguardar e fazer uma obra completa, com o mesmo montante. Além disso, são necessários projetos para não jogar dinheiro fora. É preciso entender a causa e a consequência, o que vai evitar que o problema volte acontecer”, frisa Clemenceau Chiabi.

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