Programado para entrar em atuação neste mês, mas felizmente inoperante devido aos sucessivos adiamentos do pico de casos da Covid-19 em Minas, o Hospital de Campanha do Expominas, na Gameleira, na região Leste de Belo Horizonte, passará por um chamamento público para Organizações Sociais (OS) interessadas em participar da gestão compartilhada do centro médico extraordinário. As informações foram passadas pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em coletiva realizada nesta quinta-feira (4).

Também durante a reunião, a SES-MG informou que, diante da preocupação com surtos da doença em empresas mineiras, os 14 casos registrados não causaram, até o momento, explosões de contaminação da doença no Estado e muitos deles já foram controlados.

De acordo com o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, Minas completa quatro meses, a partir dos primeiros estudos realizados em março para o enfrentamento da Covid-19, e sem a utilização do Hospital de Campanha, em razão da adesão popular às medidas de prevenção e de isolamento e distanciamento sociais. "Das primeiras projeções para cá, o pico da pandemia atrasou mais de um mês, para meados de julho, o que nos dá uma certa folga para a tomada de medidas para a gestão da unidade erguida no Expominas", explicou o secretário. 

Segundo o governo, o chamamento público será aberto na próxima semana e é voltado para as OS, que são entidades sem fins lucrativos que exercem atividade de interesse social. Conforme Amaral, a gestão do espaço ocorrerá conjuntamente entre as organizações sociais, a SES, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).

Ainda segundo o governo, a estrutura no Expominas conta com 768 leitos, sendo 740 de enfermaria e 28 de estabilização. O hospital teve um custo total foi de R$ 5,3 milhões, sendo que 80% deste valor foi doado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Surtos não 'explodiram' em casos

Sobre os surtos em Minas, Amaral informou que os casos estão divididos em 12 municípios, nas regiões Centro-Sul (4 casos); Centro (3); Noroeste (3), região que retrocedeu, nesta quinta, de onda de flexibilização das atividades; Leste (1), Oeste (1), Sul (1) e Vale do Aço (1). Entre os casos, dois mais recentes ocorreram na Serra do Salitre, no Alto Paranaíba, e em Unaí, na região Noroeste - locais onde centenas de trabalhadores testaram positivo para a enfermidade e precisaram entrar em quarentena. 

"Esses surtos são importantes pois mostram um pico muito rápido de casos em alguma região, mas ficamos muito atentos para verificar se o surto está restrito a uma unidade, como asilo ou empresa, ou se tem risco maior de espalhar. Alguns já estão em remissão, já foram há mais dias, já estão passando aquela fase que eles pudessem impactar no risco de disseminação na região. A grande maioria já está controlada e não tivemos evidência que algum surto tivesse levado a alguma explosão no Estado", explicou Amaral.

Também na reunião, o secretário informou que a projeção para o pico de casos da doença em Minas se mantém em 19 de julho, com a previsão de 2047 ocorrências nessa data.

Polícia segue apoiando combate à Covid-19

Presente na reunião, o novo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Rodrigo Souza Rodrigues, empossado nessa quarta-feira (3), informou que as ações e operações policiais estão ocorrendo normalmente em Minas. "Um enfrentamento cada vez mais buscando diminuir a criminalidade no nosso Estado. Também o nosso plano de contigência e combate ao Covid-19 segue. Estamos em execução de toda as etapas que estavam planejadas", explicou.

Testes em Montes Claros

Questionado sobre a demora de entrada em funcionamento do laboratório do Hospital Universitário Clemente de Faria, da Universidade Estadual de Montes Claros, na região Norte, credenciado em abril para a realização de testes de Covid-19, Amaral informou que o mesmo está em fase de iniciar operação e recebendo insumos. Segundo ele, cada laboratório passa por uma série de etapas antes de começar a funcionar.

"Quando nós falamos que tem um laboratório, que fez a inscrição, foi credenciado, isso não significa exatamente que esse laboratório, a partir do momento que foi credenciado, ele está 100% apto a produzir. Ele tem que ter o credenciamento, depois ele faz a validação da sua forma de operação junto à Funed, depois faz o treinamento de habilitação de alimentação da rede e, por último, esses laboratórios entram no planejamento operacional para que nós tenhamos o início de operação", explicou. O início da operação também depende da demanda, informou o gestor.