Cerca de uma hora e meia antes de ser encontrada morta em João Monlevade, na região Central de Minas, a influenciadora digital Lívvia Bicalho, de 37 anos, registrou um boletim de ocorrência contra o namorado, Rafael Ribeiro Pinto, de 39, por desentendimentos. O casal foi localizado sem vida na última quarta-feira (21), por volta das 13h. A suspeita é de feminicídio seguido de suicídio.

De acordo com a Polícia Militar, a mulher ligou para o 190 por volta de 11h30 do mesmo dia do óbito e afirmou que queria registrar uma denúncia contra o companheiro. Ela disse que estava em frente ao presídio da cidade. Muito nervosa e sem conseguir explicar a situação, ela foi orientada a seguir até o quartel da PM para fazer o boletim.

Enquanto isso, a filha de Lívvia foi até a unidade militar e pediu ajuda. Ela relatou que a mãe estava tendo desentendimentos frequentes com o namorado e que sofria perseguições do mesmo. A influenciadora digital chegou ao local e foi questionada se havia sido violentada. Ela declarou não ter sofrido agressões, mas afirmou que tinha medo de retornar ao imóvel onde morava com o companheiro para retirar os pertences dela.

Segundo a vítima, o homem havia dado 45 horas para que ela fizesse a mudança. Os militares se disponibilizaram a acompanhá-la, mas Lívvia declarou que havia agendado o serviço para a próxima segunda-feira (26). A mulher ainda afirmou que iria ficar hospedada na casa de uma amiga. Ela foi orientada a não entrar em contato com o companheiro até o dia da mudança.

Em diligências para o registro do boletim, os militares foram até a residência do casal e chamaram Rafael Ribeiro para dar a versão dele sobre a situação. A PM constatou que Lívvia estava no imóvel. Aos agentes, na frente de Rafael, Lívvia afirmou que não tinha chamado a polícia. Questionada sobre o retorno ao local, a mulher declarou que precisava pegar algumas roupas. Os policiais perguntaram ao namorado dela se ele permitiria que a companheira pegasse os objetos, e ele autorizou. O fato, segundo a PM, foi presenciado por uma mulher e pelo irmão de Rafael.

Após a conversa com os militares, Lívvia entrou no prédio, juntamente com o namorado. Os agentes retornaram à unidade policial, registraram o boletim e encaminharam o documento para a Delegacia de Plantão de João Monlevade. Cerca de uma hora e meia depois, vizinhos ouviram barulhos e chamaram a PM, que encontrou o casal já sem vida no apartamento.

O caso é investigado pela Polícia Civil, que confirmou trabalhar com a hipótese de feminicídio seguida de suicídio. Nesta quinta-feira (22), o corpo de Lívvia foi enterrado em João Monlevade. A mulher deixou dois filhos, um menino de 9 anos e uma jovem de 19.

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