Mais um caso de importunação sexual foi registrado dentro de um ônibus em Belo Horizonte. Desta vez, a vítima é uma jovem de 21 anos, que registrou o crime com o próprio celular na manhã dessa quinta-feira (14), durante uma viagem na linha do Move 62, que faz o trajeto Estação Venda Nova/Savassi.

Como faz todas as manhãs, a assistente pessoal de um escritório de advocacia embarcou na estação Venda Nova por volta das 7h50 e sentou-se em uma poltrona do corredor mais ao fundo do coletivo. Pouco tempo depois ela percebeu que um homem permanecia ao lado dela.

“O ônibus estava cheio, mas não ao ponto de se aproximar tanto de mim. Percebi que tinha algo errado quando comecei a sentir ele encostando. Então, minha primeira reação foi não acreditar que aquilo estava acontecendo e, em um ato ingênuo, pensei em filmar para ver se realmente era aquilo mesmo e ter provas”, contou a jovem.

Nas imagens é possível ver que ela está sentada e o suspeito em pé. Ele aproveita a posição para esfregar o órgão genital no braço dela, em seguida, as imagens mostram ele passando a mão no próprio órgão genital. 

Assista:

Após ter certeza de que havia algo errado, a jovem gritou com o homem, que teria se afastado.  “Eu levantei e questionei o que ele estava fazendo, se tinha alguma dificuldade, se não tinha vergonha”.

Ainda segundo a vítima, nenhum passageiro tentou ajudar ou mesmo saiu em sua defesa. A viagem seguiu até que o homem desceu rapidamente em um ponto da região Leste de Belo Horizonte. “Esperei ajuda das outras pessoas para que ele não saísse impune, mas foi o contrário. As pessoas em volta só olharam, balançaram a cabeça negativamente, porém não se prontificaram a ajudar, a chamar a polícia. Eu, infelizmente, como fui pega de surpresa, não consegui agir sozinha”.

A passageira explicou ainda não comunicou o fato ao motorista, que poderia ter acionado o botão do pânico e chamado a Polícia Militar, porque tudo aconteceu muito rápido e na parte de trás do coletivo.

Ela preferiu seguir viagem até o trabalho.

Já no escritório, muito nervosa e chorando muito, um colega, que é advogado, a acompanhou até uma delegacia para denunciar o caso.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que o caso foi registrado e os fatos estão sendo apurados. “Eu passei as características físicas, o visual dele. Também fui orientada a tirar fotos do rosto caso eu o veja novamente e chamar a polícia, mesmo que não vá ser preso em flagrante”.

Ainda assustada, ela diz que não pretende mudar a rotina e espera estar preparada caso encontre o suspeito novamente. “Estou preparando meu psicológico e, caso eu o encontre, irei tomar as medidas que me recomendaram. Não mudarei, irei continuar pegando o mesmo ônibus e no mesmo horário”.

No mês de outubro, a campanha da Prefeitura de Belo Horizonte de combate ao assédio no transporte público completa um ano com 14 suspeitos de assédio detidos. Entre janeiro e setembro de 2019 foram registradas 28 ocorrências de acionamento do botão do assédio, segundo dados do Centro Integrado de Operações (COP-BH). 

Importunação sexual

A lei nacional que transformou a contravenção em crime foi sancionada em setembro de 2018. Pelo texto, é considerada importunação sexual a realização de ato libidinoso na presença de alguém e sem o seu consentimento, como masturbação e ejaculação dentro do transporte público, toques inapropriados ou os chamados beijos “roubados”.

Com a mudança, o crime de importunação sexual prevê pena de 1 a 5 anos de prisão.

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