O julgamento do empresário acusado de assassinar o namorado da ex-companheira que ocorria no 1º Tribunal do Júri, no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, na manhã desta quinta-feira (10), foi adiado para o dia 17 de novembro.

De acordo com a assessoria do tribunal, a interrupção foi motivada pela ausência do uso de máscara de prevenção à Covid por parte do defensor do acusado, o advogado Ércio Quaresma. Conforme o Fórum, o julgamento chegou a ser iniciado, às 11h, mas foi finalizado cerca de 40 minutos depois, no momento em que a namorada da vítima ia dar depoimento.

Procurado pela reportagem, Quaresma afirmou que informou ao júri que não faria a sustentação utilizando máscara. O ato foi imediatamente questionado por uma promotora. Em resposta, segundo Quaresma, o juiz responsável teria perguntado aos presentes se haveria problema na continuidade da sessão nessa condição.

"Os senhores disseram que não [havia problema]. Exigiram de mim que fizesse com máscara, mas nas duas últimas semanas eu fiz dois júris sem máscara. O 'Bozo' não usa, por que eu tenho que usar?", declarou Quaresma, citando o nome de um personagem em referência ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

O advogado ainda afirmou que o júri foi interrompido, na verdade, porque o cliente dele foi transportado, nesta quinta, em um carro com um outro detento que está com a doença causada pelo novo coronavírus.

"O que aconteceu é uma irresponsabilidade da Secretaria de Defesa Social de mandar um preso saudável junto com um preso com Covid", disse.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), afirmou que um dos presos que foram escoltados na manhã desta quinta-feira do Centro de Remanejamento Provisório de Betim I para o Fórum Lafayette testou positivo para Covid-19 no final do mês de agosto, porém, o isolamento para período de quarentena foi determinado até esta quinta-feira. O Depen esclarece que o preso em questão recebeu alvará de soltura expedido pelo Poder Judiciário ainda no trajeto até o fórum e não se encontra mais sob custódia do sistema prisional. "Vale destacar que todos os presos sintomáticos são testados e, também, aqueles que tiveram contato com presos testados positivo ou com suspeita da doença", disse a secretaria.