O prefeito Alexandre Kalil determinou, nesta terça-feira (17), o esvaziamento completo dos prédios da Prefeitura de Belo Horizonte e a suspensão de alvarás na cidade. As ações foram definidas após reunião do Comitê de Enfrentamento da Pandemia Covid-19, nessa manhã, e divulgadas em transmissão ao vivo pelo Facebook. 

De acordo com Kalil, o esvaziamento dos setores não representa ponto facultativo. "Estarão todos trabalhando, em suas casas, em contato com seus secretários e esses em contato com o prefeito, até pessoalmente, porque eu estarei no meu gabinete, que vai funcionar durante mais essa crise que Belo Horizonte enfrenta", afirmou.

“Se não tomar medidas duras e sérias, nós vamos demorar dois, três, quatro, cinco meses (para resolver a questão). Não é férias gente. Eu não faço isso (ficar em casa) porque tenho que comandar a cidade, senão faria isso de casa”, acrescentou. 

Sem se estender no assunto, o prefeito informou que está suspensa, a partir desta terça, a concessão de alvarás, públicos ou privados, por tempo indeterminado.  

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Além disso, o gestor afirmou que as obras de reconstrução da cidade, feitas pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) após as fortes chuvas dos últimos dois meses, continuam "com efetivo mínimo administrativo e máximo nas ruas, por se tratar de uma obra dispersa". Também continuam seus trabalhos a BHTrans e a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Nas regionais, o trabalho funcionará em escala mínima.

O prefeito disse que foi informado pela BH Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional, de que, a partir de abril, os voos internacionais serão suspensos. Procurada pela reportagem, a empresa informou que, até o momento, apenas os voos da Azul Linhas Aéreas passarão por interrupção.

Impacto econômico

Kalil acrescentou que todos os fechamentos de rua, como o "Savassi é da Gente", estão suspensos. Segundo ele, essas alterações representarão um impacto "muito duro para muita gente". No entanto, se comprometeu a apoiar os comerciantes e cidadãos.

"Não vamos deixar os comerciantes ao léu. É obrigação do poder público ir atrás de um título de financiamento, de um prolongamento do (pagamento do) Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), de alguma coisa".

Restaurantes populares, EMEIs e cemitérios

Outra mudança está no atendimento nos restaurantes populares. Segundo Kalil, os equipamentos continuarão funcionando, mas os consumidores deverão pegar a ficha, se servirem e se retirarem do local, evitando aglomeração.

Quem também terá acesso à alimentação são os alunos das Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs), que não terão aulas a partir desta quinta-feira (19), mas continuarão podendo ir às unidade para se alimentarem.

“Agora, nós temos que entender uma coisa. Essa tragédia acaba em pouco tempo se a gente respeitar a guerra ou vai demorar a passar. Isso depende de vocês, depende de nós”, disse.

O funcionamento de velórios e a abertura de cemitérios terá programação definida pela Secretaria Municipal de Saúde. A reportagem procurou a pasta para informações se haverá suspensão dos serviços nesses locais, mas até a noite desta terça-feira ainda não tinha recebido retorno.

Número de leitos

O prefeito de Belo Horizonte deu uma previsão do que se avizinha em termos de necessidade de novos leitos para comportar os pacientes do novo coronavírus.  

“Se Belo horizonte seguir o fluxo normal do que está acontecendo no mundo, nós precisaríamos de 8 mil leitos de CTI, na pior das hipóteses, e 4 mil leitos na melhor”, enfatizando que essa falta de leitos também tem acometido os demais países, como Itália, China, França e EUA.

Ao falar sobre o tom alarmante, Kalil lembrou ter 60 anos de idade e estar no grupo de risco da doença. “Eu não tô a fim de morrer. Não por descaso, por ignorância”, disse o chefe do executivo municipal.

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