Liga de Santa Tereza orienta blocos a não saírem às ruas no Carnaval 2022

Clara Mariz
@clara_mariz
01/12/2021 às 19:21.
Atualizado em 08/12/2021 às 01:11
 (Maurício Vieira)

(Maurício Vieira)

Com a pandemia de Covid-19 ainda em alta em Belo Horizonte e em outras cidades brasileiras, a Liga Independente dos Blocos de Santa Teresa (Se Liga) divulgou uma nota nesta quarta-feira (1º) orientando os blocos a não realizarem desfiles e nem promoverem aglomerações de rua no ano que vem.

O texto é a primeira manifestação oficial de uma representantes de blocos de rua, após a declaração do prefeito Alexandre Kalil (PSD) de não patrocinar o carnaval, apesar de a Prefeitura não impedir que os foliões saiam às ruas.

O Se Liga informa que, diante do cenário do aumento da taxa de transmissão da doença, não é possível apontar como estará a pandemia no fim de fevereiro do ano que vem, durante o período carnavalesco. "A prioridade do momento é a preservação da vida e todas as medidas de proteção e prevenção devem ser implementadas".

Diante o pronunciamento do Se Liga, outras associações e ligas dos blocos de BH também deram um parecer em relação à realização da festa. A Associação dos Blocos de Rua de BH (ABRABH) informa que já está ouvindo seus 34 associados sobre o assunto e aguarda o posicionamento deles. Já a Liga Belorizontina de Blocos Carnavalescos afirmou que ainda não possui uma definição sobre o tema, mas que a tendência é que siga a orientação da Liga de Santa Tereza.

Conforme o documento da Se Liga, ao longo dos últimos dois anos, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) não apresentou nenhuma medida de proteção social à cadeia produtiva do Carnaval.

Para o presidente da Liga de Santa Tereza, Kerison Lopes, caso seja possível a realização da festa em 2023, muitos blocos não poderão sair às ruas. "Os trabalhadores do Carnaval querem dar continuidade à cadeia produtiva criada nos últimos anos. O grande risco que eu ouço falar é que muitos artistas estão vendendo seus instrumentos. O maior problema é a cadeia produtiva construída nos últimos 10 anos acabar", explica Lopes.

A reportagem procurou a PBH para obter explicações sobre o que as declarações da Se Liga e, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.

Planejamento

Alguns blocos da capital dizem que a Prefeitura não planejou de forma correta a folia de 2022. A Liga de Santa Tereza afirma que, ao contrário de outras capitais em que a festa ocorre de forma expressiva, Belo Horizonte não optou por captar recursos na iniciativa privada para viabilizar a logística do evento ou para a manutenção dos blocos.

Para o criador do bloco Baianas Ozadas e presidente da Liga Belorizontina de Blocos Carnavalescos, Géo Cardozo, a falta de cuidado e de sensibilidade do Executivo municipal enfraquece a festa que se tornou tradicional. "O que a gente quer não é o Carnaval a todo custo, queremos participar do planejamento da festa", explica.

Futuros dos blocos

Mesmo com a decisão de alguns grupos de não desfilar no Carnaval em 2022, alguns blocos já estão se preparando para 2023, como é o caso do Bloco Belô.

De acordo com o presidente da agremiação, Robhson Abreu, o grupo está fazendo cursos para melhorar o desfile. "Nós não vamos fazer cortejo em 2022. Estamos preferindo, depois dos cursos que estamos fazendo no Sebrae, arrumar a casa, traçar estratégias e planejar mais. Quero tornar o bloco mais sustentável e com mais projetos sociais”, afirma.

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