Um médico de 32 anos, lotado em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Brumadinho, na Grande BH, furou um protesto em Aranha, distrito rural da cidade, e quase atropelou três pessoas na manhã desta quarta-feira (11). Ninguém ficou ferido. À Polícia Militar, o homem afirmou que precisava passar para atender uma emergência médica. Em nota, a prefeitura afirmou que vai solicitar a dispensa do profissional. A manifestação no local é contrária ao aumento no valor das passagens de ônibus em Brumadinho.

De acordo com o tenente Juarez, responsável pela operação no local, o protesto teve início às 6h e seguia de forma pacífica e sem queima de pneus. A via bloqueada, em ambos os sentidos, é uma estrada rual que liga Aranha ao Centro de Brumadinho.

Em determinado momento do protesto, um motorista avançou com sua caminhonete contra três pessoas que estavam atrás da barreira de pneus. Elas conseguiram escapar de serem atropeladas. Ainda segundo Juarez, o motorista foi imediatamente perseguido pela viatura policial.

A abordagem terminou com o veículo e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do homem apreendidos. Ele foi conduzido para a 5ª Delegacia de Polícia Civil de Brumadinho, local em que deverá ser liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), já que a infração é considerada de menor potencial ofensivo.

Em depoimento à polícia, o profissional afirmou que necessitava passar para atender uma emergência. O médico, de 32 anos, disse que pediu apoio à PM, que o recomendou conversar com os manifestantes. O profissinal da saúde tentou a liberação, mas foi negado. Segundo ele, os participantes do ato ficaram exaltados e pediram-no que desse a volta.

Ainda de acordo com a versão do médico, seu veículo estava sem combustível suficiente para fazer o retorno. Por isso, ele afirmou que ligou o carro, tracionou o veículo e passou por cima do bloqueio em baixa velocidade de maneira que os manifestantes puderam sair da direção do veículo em segurança. O homem também disse que colaborou pacificamente após ser abordado pela polícia. 

Aumento de passagens

O protesto desta quarta-feira é contrário ao aumento de 18% no valor das passagens do transporte coletivo em Brumadinho. De acordo com a Prefeitura de Brumadinho, o reajuste, que não ocorria desde 2016, foi aprovado após acordos entre a administração e a Saritur, concessionária que atende o município. 

Dentre eles, está o impedimento de novos aumentos de tarifas até dezembro de 2020 e a previsão de que a empresa ofereça maior número de linhas e horários no quadro de atendimento.

A prefeitura também esclareceu que a empresa havia solicitado inicialmente um reajuste de 92%, o que elevaria o valor da passagem para R$ 10,08. O valor foi negado. A prefeitura ainda informou que não têm autonomia para definir o valor do aumento do transporte coletivo. 

"Essa decisão cabe ao Conselho Municipal de Transporte, que é formado por representantes da Polícia Militar, usuários do transporte coletivo, servidores públicos, taxistas, representantes de autoescolas, da empresa concessionária e do Clube dos Dirigentes Lojistas", afirmou, em nota. 

De acordo com a Saritur, a falta de reajuste há mais de três anos tem causado desequilíbrio financeiro do contrato. Segundo a empresa, o aumento estava marcado para janeiro, mas foi adiado após a tragédia do rompimento da barragem, na cidade. 

Além disso, segundo a Saritur, o reajuste necessário para a equivalência aos demais municípios da Grande BH seria de 45%, o que significa que os 18% autorizados pelo Conselho Municipal de Trânsito ainda estão aquém do necessário.

Com relação aos ônibus, a empresa afirmou que os veículos passam por rigorosa manutenção e que a operação ocorre de acordo com o contrato. "Diante das dificuldades, sempre nos esforçamos para prestar o melhor serviço à população de Brumadinho", afirmou a empresa, em nota.

Leia a nota na íntegra

A Prefeitura de Brumadinho, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, lamenta profundamente a atitude do médico Ronaldo Miranda Batista Junior que, na manhã desta quarta-feira (11/09) avançou, com seu carro particular, sobre pessoas que democrática e pacificamente manifestavam contra o reajuste das tarifas do transporte coletivo da empresa Saritur.

A Prefeitura informa que o médico não é servidor público efetivo do município, mas contratado como 3º clínico plantonista da UPA. 

A Secretaria de Saúde vai solicitar à empresa, Objetivo Saúde, pela qual o médico é contratado, que o mesmo não atenda mais nas unidades de saúde do município.

Com relação ao reajuste da tarifa, a Prefeitura de Brumadinho esclarece que não têm autonomia para definir o valor do aumento do transporte coletivo e que essa decisão cabe ao Conselho Municipal de Transporte, que é formado por representantes da Polícia Militar, usuários do transporte coletivo, servidores públicos, taxistas, representantes de autoescolas, da empresa concessionária e do Clube dos Dirigentes Lojistas. 

O pedido inicial da empresa foi de um reajuste de 92%, o que elevaria o valor da passagem para R$ 10,08.

Diante da solicitação de aumento, que não acontecia desde janeiro de 2016, o Conselho Municipal de Transporte deliberou pelo ajustamento de 18%. Ainda assim, o valor da passagem em Brumadinho é um dos mais baixos da região.

Em contrapartida, a Prefeitura de Brumadinho e o Conselho pediram que não houvesse nenhuma outra solicitação de reajuste de tarifas até dezembro de 2020 e que a empresa aumentasse o número de linhas e horários no quadro de atendimento.

A solicitação da foi acatada.

Assessoria de Comunicação
Prefeitura de Brumadinho

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