Com a repercussão dos casos de assédio sexual que teriam sido cometidos por um ginecologista de 74 anos dentro do Hospital da Mulher e Maternidade Santa Fé, no bairro Horto, região Leste de Belo Horizonte, o número de mulheres que procuram a polícia para formalizarem duas denúncias sobe cada vez mais. Nesta sexta-feira (13), a Polícia Civil confirmou que o número de vítimas já subiu para 20 em cerca de 48 horas. 

Até a última quarta-feira (11), 18 mulheres haviam procurado a delegacia, sendo uma delas, funcionária da instituição e as demais, pacientes do médico. Agora, já são três as funcionárias que formalizaram suas denúncia. A Polícia Civil não informou se entre as vítimas há menores.

A primeira mulher que denunciou o homem gerou a abertura de um inquérito que já foi concluído e terminou com o indiciamento do ginecologista por importunação sexual. Essa primeira vítima também possibilitou a divulgação do caso, inspirando, assim, outras vítimas a procurarem a polícia e denunciarem o médico. 

Há, ainda, outro inquérito em andamento para a apuração das demais denúncias. O médico, que alega inocência, chegou a ser preso, mas deixou a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de BH, no dia 29 de novembro, após pagar fiança. A defesa dele declarou, na ocasião, que não havia elementos suficientes para mantê-lo detido. O crime de importunação sexual tem pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão.

Procurada pela reportagem, a maternidade onde aconteceram os casos de importunação sexual informou que mantém o mesmo posicionamento divulgado desde o início das investigações: "com o desdobramento legal do caso até o momento, o hospital suspendeu por tempo indeterminado todas as atividades do profissional (consulta, plantão e cirurgias)".

Ainda conforme o hospital, se as denúncias ficarem comprovadas, a instituição cumprirá o que determina o regimento interno, que pode levar à expulsão definitiva do médico dos quadros do hospital. "Além disso, ato administrativo da comissão de ética enviará relato ao Conselho Regional de Medicina (CRM-MG) para as medidas cabíveis no âmbito profissional. Ressaltamos que o hospital não prejulgará o profissional, tendo seu afastamento até o momento caráter preventivo", completa, a nota. 

O primeiro caso

As acusações contra o médico vieram à tona no dia 27 de novembro, depois que uma jovem, de 22 anos, contou que foi assediada pelo profissional. O ginecologista teria dito: "Ei loirinha, deu química" e "toda loirinha gosta de um negão", fazendo referência ao namorado dela, que estava no local. 

Após iniciar a consulta, o idoso teria feito um exame de toque na vítima, momento em que chegou a dizer "que periquitinha quente". Depois disso, ela teria se levantado. O ginecologista, em seguida, teria segurado ela pelo braço, tentando beijá-la. O suspeito pediu, então, que a vítima ligasse para marcar uma nova consulta, completando que só ele cuidaria dela.

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