A troca de mensagens entre a cabeleireira Edisa Soloni e uma funcionária da clínica onde a jovem realizou procedimentos cirúrgicos foi entregue para a Polícia Civil. No material, é possível observar o acordo em torno do pagamento de R$ 10.800 pelos procedimentos, feito via transferência bancária, e sobre os medicamentos que a cabeleireira deveria tomar antes e depois das cirurgias. Edisa morreu no sábado (12), depois de passar por lipescultura e enxerto nos glúteos em um estabelecimento localizado no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte. 

Na troca de mensagens, a cabeleireira informa à clínica que havia uma questão no exame de urina, feito dias antes. No dia 1º de setembro, Edisa contou que o exame de risco cirúrgico estava pronto, mas que havia uma alteração na urina e precisaria repetir o procedimento. Em seguida, a funcionária pergunta: “Você já tomou a medicação pra melhorar aí a alteração no exame de urina?". A cabeleireira responde: "Sim, eu tomei o antibiótico. Aí eu fiz o exame hoje. Eu acabei de tomar os remédios ontem e ficará pronto na terça-feira". A funcionária, então, combina que o pagamento será feito na terça, após o resultado do exame de risco cirúrgico feito por um cardiologista.

A clínica afirmou que contatos entre a paciente e a clínica para orientações pré-operatórias são medidas de rotina na atividade da empresa. Disse ainda que, diante dos desdobramentos do caso, irá aguardar o laudo do IML com serenidade para se pronunciar. “Entendemos que qualquer pré-julgamento é mera especulação”, afirmou a clínica, acrescentando que as cirurgias foram suspensas temporariamente de forma voluntária.

A Polícia Civil informou que realizou a exumação do corpo de Edisa nesta sexta-feira (18) e que irá se pronunciar sobre os passos da investigação somente ao final do inquérito.

Entenda o caso

A cabeleireira Edisa Soloni, de 20 anos, passou pelos procedimentos de lipoescultura e enxerto de silicone nos glúteos, na sexta-feira (11), numa clínica de cirurgia plástica no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Ela passou mal dentro da clínica, pouco tempo depois do procedimento. Uma enfermeira acionou uma ambulância, que levou a jovem para um hospital particular, onde ela morreu no dia seguinte. A causa da morte foi registrada como embolia pulmonar.

A Polícia Civil esteve presente no estabelecimento nesta terça-feira (15) para recolher documentos e o prontuário médico da paciente. No dia seguinte, investigadores voltaram ao local com um perito especializado em cirurgia plástica para verificar se a estrutura da clínica permitia a realização de procedimento de nível moderado. A clínica, por meio de nota, afirmou que tem alvará para cirurgias de média complexidade.

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que a clínica possui Alvará de Autorização Sanitária para realização de cirurgias plásticas e atende os requisitos legais da legislação. O documento é válido até agosto de 2021. Mesmo assim, a Vigilância Sanitária deverá realizar nova vistoria nos próximos dias, segundo a administração municipal.

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