Era início de junho quando a aposentada Maria Ribeiro de Souza, de 86 anos, apresentou sintomas semelhantes aos da gripe. Moradora do bairro Santa Efigênia, região Leste de Belo Horizonte, a idosa teve tosse seca, desconforto nasal e dor no corpo. Alguns dias depois, a filha dela, Lourdes Alves de Souza, de 61, sentiu o mesmo mal-estar. 

Os exames constataram o que os familiares temiam: as duas estavam com a Covid-19. Apesar do susto, ambas se recuperaram em casa e, hoje, são consideradas curadas da enfermidade. Elas integram o grupo de pessoas que receberam diagnóstico positivo da doença e venceram a batalha contra o vírus.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), Minas atingiu nesta segunda-feira (6) a marca de 37 mil curados do novo coronavírus. Até o momento, a Covid já deixou 59.626 doentes e provocou 1.230 mortes.

Dentre os recuperados está a motorista executiva Claudia Bartolomeu, de 52 anos. Ela foi contaminada logo no início da pandemia, em março. Além das duas semanas mais críticas da doença, em que os sintomas se desenvolveram, ainda ficou 30 dias com extremo cansaço. 

"Hoje é vida normal, mas foi uma batalha", lembra. Cláudia recorda que o mais difícil foi ficar 15 dias trancada no quarto, longe do filho e do marido. Mas reforça a importância da medida. "O isolamento é um ato de amor ao próximo", avalia.

Dose dupla

Já a fotografa Janaína Damasceno, de 37 anos, comemora a recuperação da avó Maria Ribeiro e da tia Lourdes Alves. "Quando soubemos do resultado positivo, ficamos assustados. Nessa idade, vencer a doença sem ter que se medicar, é uma benção. Ficamos apreensivos, mas muito agradecidos", declarou. 

Ela contou que a avó e tia passaram mal em casa. "São mulheres guerreiras. Minha avó veio da roça e teve nove filhos. É muito forte", destaca a neta. 

Claudia Lucas Bartolomeu
Claudia é esportista, mas foi derrubada pelo vírus

Guerra invisível

O infectologista Unaí Tupinambás destacou que a marca de 37 mil recuperados em Minas tem que ser celebrada. No entanto, reforça que é preciso medidas sanitárias para evitar mortes pelo coronavírus no Estado. 

"A notícia (dos curados) é muito boa. Sabemos que 95% dos infectados vão se recuperar sem danos e sair bem da doença. Mas temos que reduzir os casos, qualificar os pacientes que estão nos hospitais e proteger aqueles que precisam de UTIs", lembrou.

De acordo com o médico, que integra o Comitê de Enfrentamento de Combate à Covid-19 em BH, somente com o isolamento social será possível reduzir a taxa de transmissão do vírus no Estado. Com menos doentes, a chance de recuperação das vítimas aumenta. "Quanto menor o número de pacientes, melhor a qualidade do atendimento. Dai a importância de evitar o contágio para vencer a doença", disse.

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