O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou na tarde desta quarta-feira (15) que subiu para sete o número de lotes contaminados de cervejas da Backer com a substância tóxica dietilenoglicol. Segundo a Pasta, são seis lotes da Belorizontina e um lote da cerveja Capixaba.

Confira quais são:

Cervejas Contaminadas

Amostras recolhidas em tanques da fábrica no bairro Olhos D'Água, na região Oeste de Belo Horizonte, por técnicos do Mapa, indicaram a presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol na água utilizada na produção de cervejas. A fiscalização identificou ainda um uso elevado desses produtos no sistema de refrigeração. Conforme o Mapa, 15 toneladas de monoetilenoglicol foram compradas pela cervejaria desde 2018, com picos em novembro e dezembro de 2019. Como a refrigeração é um sistema fechado, em princípio, não haveria justificativa para essa aquisição em grande escala.

O coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do ministério, Carlos Müller, informou que todo o processo de fabricação está sendo periciado e que, por enquanto, há três hipóteses sendo investigadas: sabotagem, vazamento e uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no processo de refrigeração do sistema.

Os técnicos também disseram que os controles de produção demonstram que os lotes já detectados como contaminados passaram por distintos tanques, não estando restrita ao tanque 10, onde supostamente teria sido produzida a marca Belorizontina. Uma nova rodada de amostras está sob análise dos laboratórios federais agropecuários e os resultados serão divulgados em breve. 

"É importante ressaltar que não existem limites aceitáveis para a presença das substâncias em alimentos", destacou Müller. "Temos [força-tarefa] que ir atrás de como ocorreu esta contaminação", acrescentou. 

A Backer, que responderá a um processo administrativo, ficará fechada por tempo indeterminado e seus produtos só poderão voltar a ser comercializados após o Mapa comprovar a normalidade do sistema de produção da empresa. 

Em Nota, a Backer reafirma que nunca comprou e nem utilizou o dietilenoglicol em seus processos de fabricação e reforça que a substância empregada pela cervejaria é o monoetilenoglicol, cujas notas fiscais de aquisição já foram compartilhadas com a Polícia Civil e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). 

"Nos últimos dois anos, a Backer precisou aumentar a compra de monoetilenoglicol para atender a demanda de ampliação constante da sua planta produtiva. No período, foram adquiridos 29 novos tanques de fermentação. A Backer aguarda os resultados das apurações e continua à disposição das autoridades", diz o comunicado.