A escalada de casos confirmados de novo coronavírus, de internações e mortes não são os únicos indicativos de que a Covid ainda está em um alto patamar em Belo Horizonte. O projeto-piloto Monitoramento Covid Esgotos, realizado pela UFMG em parceria com várias entidades públicas, mostrou que o número de pessoas infectadas aumentou consideravelmente, depois de duas semanas de estabilidade.

O boletim publicado nesta sexta-feira (31) indicou que cerca de 850 mil pessoas já estariam infectadas pelo vírus na capital mineira. Os resultados de exames, porém, confirmam 20,5 mil casos desde março.

Se a estimativa do projeto-piloto corresponder à realidade, isso indicaria que 34% da população de Belo Horizonte já teria tido contato com o novo coronavírus, sendo a maioria assintomática ou pouco sintomática.  

O levantamento é feito a partir coleta de amostras na rede de esgotos da capital, nas sub-bacias sanitárias do ribeirão do Onça e do ribeirão Arrudas, que recebem efluentes de Belo Horizonte. Pela nona semana o vírus foi identificado em 100% das amostras coletadas na bacia do Onça, enquanto pela sétima semana consecutiva foi detectado nas amostras da bacia do Arrudas.

Vale lembrar que não há evidências da transmissão do vírus através das fezes (transmissão feco-oral). O objetivo da pesquisa é mapear os esgotos para indicar áreas com maior incidência da Covid.

O projeto é uma iniciativa conjunta da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis/UFMG), em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).