Um grupo de moradores do bairro Padre Eustáquio, região Noroeste de Belo Horizonte, está oferecendo R$ 1 mil em recompensa a quem conseguir pistas sobre o envenenamento de Negão, um vira-lata de rua que vivia há cerca de um ano na esquina da Lorena com a Carioca. O animal morreu após comer carne recheada com chumbinho, conforme laudo de um veterinário.

Negão era querido por muita gente, mas também havia quem temia o porte grande do pet. Moradores que o alimentavam, contudo, garantem que o cão era dócil. 

O carinho por ele era tanto que o cachorro ganhava mimos, como uma roupinha de Papai Noel. Recebia, diariamente, ração e água. Não raramente era levado para um banho em pet shop.

Ganhou até uma casinha de madeira para se proteger do frio e chuva. A estrutura foi montada numa calçada na Carioca. "Mas veja: sobrou apenas o pote em que ele bebia água", mostra dona Simone Pereira. 

Ela é quem garante o pagamento da recompensa: "A gente paga o preço que for, mas se a gente tem de ter uma prova concreta... Queremos justiça. O que a gente mais quer é descobrir quem foi (o autor). Foi uma crueldade, um animal indefeso. Estou chocada, deprimida".
 

Simone Pereira

Dona Simone Pereira é quem garante o pagamento da recompensa

Negão perdeu a vida no Réveillon. Imagens da câmera de um prédio na rua Lorena mostram o animal cambaleando e sem coordenação motora. "Reflexos do chumbinho", afirma dona Simone.

Naquela dia, recorda, Negão foi encontrado morto num lote na região. Uma outra moradora levou o corpo até um veterinário, que constatou o envenenamento. 

Indignados, vizinhos colocaram uma faixa na rua. Uma das frases alerta: "Comunidade, cuidado com seus cães. Temos um assassino na redondeza".

Simone conta que muita gente se empenhava para conseguir um lar para Negão. Algumas famílias mostraram interesse, mas o animal morreu antes de ter um lar. "Queremos justiça", repete a protetora.


O artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais (9.605/98) considera como crime qualquer tipo de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilações aos animais domésticos. E prevê ao autor detenção de três meses a um ano, além de multa. 

Histórico recente de crueldades

Em maio do ano passado, nove gatos morreram envenenados em uma casa do bairro Padre Eustáquio. A dona dos animais encontrou os felinos já mortos em um corredor entre dois imóveis da rua Coronel José Benjamin. Quando acharam os animais mortos, as protetoras perceberam que o cadeado do portão deste corredor estava arrombado e foi trocado por outro