Impedidas de voltar para suas casas na área de risco em Macacos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), 108 moradores continuam alocados em dois hotéis de Belo Horizonte e duas pousadas em Macacos, desde o último sábado (16).   

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (18), o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, explicou que existem duas empresas contratadas pela Vale para atestar a segurança da barragem. "Uma delas atestou, mas a outra não. Houve uma discordância de opiniões e por este motivo o nível de segurança da estrutura passou para 2, exigindo a articulação imediata de evacuação". 

Ele cita ainda o Plano de Ação de Emergência para Barragens (PAEBM) da empresa, que faz uma projeção da lama de rejeitos em forma de mancha caso a barragem se rompa. "Esta mancha não chega a pegar toda a vila de Macacos, mas pega a parte baixa", diz. 

Para que os moradores possam voltar definitivamente para as casas, é preciso que haja um novo laudo de segurança emitido pela Vale, e este documento deve ainda passar pela análise da Agência Nacional de Mineração. Só depois disso, e com a segurança devidamente atestada e comprovada, é que as pessoas terão autorização para retornar. 

Vias vão começar a ser liberadas 

Com os cinco acessos à cidade bloqueados, a passagem só tem sido permitida pelo Condomínio Pasárgada, mas tem acontecido uma flexibilização por parte da Polícia Militar para liberar o acesso em casos específicos. 

"Os cinco acessos estão bloqueados para que as pessoas não transitem livremente nestas áreas quentes, já que, caso haja um rompimento, a lama irá passar por ali e levar todo mundo. É uma questão preventiva. Mas, a partir de agora, vamos flexibilizar o acesso das pessoas nesses pontos. Vamos colocar ali funcionários da Vale com rádio e equipamentos para monitorar, além de policiais, para que dentro da segurança e em casos específicos, como pessoas que precisam de atendimento médico, uma gestante por exemplo, possam passar", explica o coronel Antônio Balsa, comandante da 3ª Região da PM.

Segundo ele, a ideia é que as pessoas possam ir voltando às rotinas gradativamente, mas com responsabilidade. "A PM está sensível à situação das pessoas, como por exemplo, dos comerciantes que precisam ir ao Ceasa e tem que passar pelo caminho mais longo, gastando mais tempo e combustível. É por isso que está havendo essa flexibilização e a PM vai tratar caso a caso para liberar ou não os acessos", explica. 

Nesta segunda (18), o acesso por Capela Velha já está sendo liberado para o trânsito de pessoas e a partir desta terça (19), a expectativa é que o acesso pela MG-150 também esteja livre. Além disso, conforme Balsa, houve um recuo no principal acesso a Macacos, a BR-040. "Nós recuamos este ponto até depois da entrada do bar do Marcinho, muito conhecido na região", conclui. 

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