A suposta contaminação de cervejas da Backer com as substâncias tóxicas dietilenoglicol (DEG) ou monoetilenoglicol pode ter matado mais uma pessoa em Minas Gerais. A Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira (9) que um homem que estava internado com suspeita de intoxicação faleceu. Com isso, o número de óbitos investigados no caso subiu para sete.

A vítima é o caminhoneiro Ronaldo Victor Santos, de 49 anos, que estava internado no Hospital do Barreiro, em Belo Horizonte, há 49 dias. Contudo, não resistiu e morreu nesse domingo (8). "A Polícia Civil confirma que, neste momento, o corpo está sendo necropsiado no Instituto Médico Legal (IML)", informou.

No total, a instituição investiga 38 casos suspeitos, sendo que quatro teriam sido intoxicadas no final de 2018. Por causa da inclusão dessas novas supostas vítimas contaminadas há mais de um ano, a polícia ampliou o período de investigação para janeiro de 2018. Até então, suspeitava-se que as intoxicações estavam restritas ao fim do ano passado.

Até o momento, exames laboratoriais já atestaram a contaminação por DEG ou monoetilenoglicol em 11 vítimas - sendo que quatro morreram. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) ainda não se pronunciou sobre a nova morte. A Backer informou que lamenta o ocorrido e garantiu que "já entrou em contato com a família, se colocando à disposição para ajudar no que for necessário".

Fábrica da BackerBacker está fechada por determinação da Justiça

Parceria 

Nesta segunda-feira (9), especialistas do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CBTN) - órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia - começaram a ajudar na investigação, que foi definida como complexa e inédita. Com a parceria, a polícia pretende descobrir se houve vazamento na fábrica da Backer, o que poderia justificar a contaminação das cervejas. Ainda não há prazo para conclusão do inquérito. 

Recentemente, a Justiça reduziu em 95% o valor bloqueado da cervejaria mineira. O montante de R$ 100 milhões que havia sido sequestrado caiu para R$ 5 milhões. Para reduzir o valor, a Backer alegou que o montante inicialmente fixado "impede que a empresa forneça qualquer auxílio aos consumidores que apresentam quadro compatível com a intoxicação por dietilenoglicol, ou mesmo que esta venha a futuramente vir a arcar com eventuais indenizações e/ou sanções impostas em decorrência de toda esta situação".

Por nota, a cervejaria disse que "finalmente terá condições de oferecer suporte aos clientes e às famílias, como sempre foi o nosso desejo".

O caso 

A fábrica da Backer foi fechada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A pasta também fez diversos exames e constatou substâncias tóxicas em 53 lotes de cervejas da empresa mineira. Todas as bebidas da marca foram retiradas de circulação.

Além disso, a Justiça determinou que a Backer pague os tratamentos médicos e psicológicos das vítimas e familiares e bloqueou bens da cervejaria. 

Defesa 

Procurada pela reportagem, a Backer informou que segue colaborando integralmente com as investigações e reforçou que jamais utilizou dietilenoglicol em seu processo de produção. A empresa destacou ainda que conta com as autoridades para entender o que de fato aconteceu.

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