Em uma entrevista ao programa Estúdio I, da GloboNews, na tarde desta sexta-feira (25), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou as ações de reparação da Vale pelo rompimento da barragem da empresa em Brumadinho, na Grande BH, em janeiro deste ano. "Eu e meu governo não estamos satisfeitos com as reparações, eu diria que, de certa forma, as famílias e propriedades afetadas estão tendo acompanhamento mais próximo, mas o Estado sofreu muito na sua atividade econômica e a mineração em Minas no primeiro semestre caiu mais de 30%", declarou.

No dia em que a tragédia completa nove meses, o chefe do Executivo mineiro ainda afirmou que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) está apurando os fatos e deve propor uma indenização ao Estado através de obras compensatórias. Zema citou obras de hospitais regionais e de infraestrutura como possíveis beneficiadas pela indenização, caso seja paga.

Nessa quinta-feira (24), a Advocacia-Geral do Estado (AGE) cobrou da Vale o pagamento de R$ 46 milhões para ressarcir os custos referentes às despesas do Corpo de Bombeiros no trabalho de buscas por vítimas. O rompimento da Barragem B1 da mina de Córrego do Feijão deixou 252 mortos e, no 274º dia de buscas, os bombeiros procuram pelos 18 que permanecem desaparecidos.

Além de Brumadinho, o governador também respondeu a perguntas sobre Mariana, onde uma barragem da Samarco se rompeu em novembro de 2015, deixando 19 mortos e um rastro de lama e morte pelo rio Doce, chegando até o mar. Questionado sobre a licença tentada pela mineradora para retomar a operação, Zema defendeu que, se aprovada, a licença garante a operação sob as novas normas de segurança elaboradas pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que estariam de acordo com as praticadas por países como Canadá e Austrália, conhecidos por alta atividade mineradora e baixo número de acidentes.

A reportagem entrou em contato com a Vale e aguarda retorno.

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