Patrulha diária de cem agentes da Guarda Municipal e instalação de dez novas câmeras. O Conjunto Moderno da Pampulha, sobretudo a Igreja São Francisco de Assis, ganhou reforço na segurança. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (3) durante a visita de autoridades ao templo religioso, que reabrirá as portas nesta sexta, após ter ficado quase dois anos fechado para reforma.

A ronda na região conta com auxílio de viaturas, bicicletas, motos e cães. De acordo com o comandante da corporação municipal, Rodrigo Prates, a ação visa a proteger o patrimônio e aumentar a sensação de segurança de quem frequenta os cartões-postais da região. Em 2016, a capela teve os painéis externos – que têm a assinatura de Cândido Portinari – pichados.

Conforme a Arquidiocese de Belo Horizonte, o monitoramento da Igrejinha será feito com cinco câmeras na parte interna e mais cinco, do lado de fora. Além disso, as 14 obras com pinturas que retratam a Via Sacra de Cristo passarão a ter uma espécie de antifurto com sensores de movimento. 

Considerada por muitos como a obra-prima da Pampulha, a capela projetada por Oscar Niemeyer foi entregue em 1944

Reforma

O restauro do templo foi necessário devido a infiltrações, mofo, manchas e até painéis danificados. A reforma era uma das condições impostas pela Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco) para que o Conjunto Moderno figurasse na lista de Patrimônio da Humanidade.

O cartão-postal foi fechado para visitação em 2017, mas a obra só foi iniciada em julho de 2018. A verba foi obtida por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, do governo federal. Ao todo, foi gasto R$ 1,4 milhão. Os jardins projetados pelo artista plástico Burle Marx também foram recuperados, assim como a iluminação externa.

Segundo a PBH, R$ 300 milhões foram “economizados”. Ainda não há definição do que será feito com o valor, que poderá ser devolvido à União ou utilizado na reforma do Museu de Arte da Pampulha (MAP).

Reinauguração

Uma cerimônia na manhã de hoje, às 9h30, marcará a reinauguração da Igrejinha. Após a celebração, as visitações voltarão a ocorrer, diariamente, das 8h às 18h. Missas serão retomadas aos domingos, sempre às 10h30. Casamentos e batismos poderão ser agendados a partir de janeiro de 2020.

Desafios ainda a serem enfrentados

Em meio à entrega da obra da Igreja, alguns desafios permanecem no Conjunto Moderno da Pampulha. O prefeito Alexandre Kalil, que esteve na capela, disse que o esgoto lançado na lagoa e o anexo irregular no Iate Tênis Clube ainda são grandes problemas.

Segundo ele, R$ 25 milhões são gastos todos os anos com a limpeza do reservatório devido aos resíduos despejados sem tratamento. “A Copasa tem que resolver. A gente limpa, cai esgoto”, afirma. 

Além disso, o chefe do Executivo cobrou uma definição sobre a situação do Iate. “A construção é invadida e irregular. Todo mundo sabe disso”, disse ele, ao se referir ao puxadinho erguido em desarmonia ao traço modernista de Oscar Niemeyer. 

A descaracterização do edifício é alvo de uma ação civil movida pelo Ministério Público (MP). O processo está em andamento. O Iate e a Copasa foram procurados, mas não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

Leia Mais:

Reforma da Igrejinha da Pampulha chega à fase final

Viveiro para recuperar jardins de Burle Marx é presente pelos 3 anos de título da Pampulha