As novas ocupações são os principais pontos de atenção para a Prefeitura de Belo Horizonte no trabalho de prevenção a desmoronamentos no período chuvoso. De acordo com o presidente da Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel), Claudius Vinícius Leite Pereira, atualmente a ocupação Izidora, na região Norte, é o lugar mais crítico.

“As situações de risco estão diretamente ligadas à falta de estrutura urbana. Nesse caso, podemos citar especialmente a ocupação do Izidora, onde existem áreas de inclinação e áreas geologicamente instáveis”, afirmou o presidente da Urbel, durante coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (1º). Segundo ele, a comunidade do Lajedo, também na região Norte, é outro lugar que merece uma maior atenção.

Localizada no bairro Granja Werneck, Izidora reúne três grandes ocupações - Rosa Leão, Vitória e Esperança. Mais de 30 mil pessoas vivem na região desde 2013. 

Ocupação Izidora

Iniciada em 2013, ocupação Izidora é uma das maiores de Belo Horizonte

De acordo com Pereira, há mais de 15 anos o trabalho de prevenção vem sendo realizado em vilas, favelas, aglomerados e novas ocupações, por meio de remoção de famílias e obras de estabilização de encostas. Segundo ele, o resultado é bastante positivo: há mais de dez anos não há registro de mortes em Belo Horizonte por desmoronamentos. “Em 1994, havia 15 mil residências em áreas de risco em Belo Horizonte. Hoje esse número é de 1.200”, explicou.

Entre os trabalhos realizados na atualidade para evitar inundações e garantir a segurança de moradores de Belo Horizonte está a remoção de 260 famílias que moram próximas ao leito do córrego do Onça, para a implantação de um parque linear no entorno do rio.

Voluntários

O trabalho de prevenção e socorro em áreas mais susceptíveis a acidentes provocados pelas chuvas conta com uma parceria estabelecida com 400 moradores de diferentes regiões da cidade que atuam como voluntários na orientação e assistência de vizinhos. São 43 Núcleos de Defesa Civil (Nudec), formados por moradores do entorno.

Durante o ano, os voluntários participaram de atividades de capacitação, como curso de noções básicas do Programa Estrutural em Área de Risco (Pear) e visita a áreas de risco de deslizamento. Eles aprenderam ainda sobre como agir e orientar moradores nos períodos de chuvas, sobre indícios de trincas nas moradias, movimentação de terreno e elevação de nível de água de rios.

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